Sexta-feira, Julho 25

Post da Manutenção

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We're going through changes... (leiam isso como se fosse cantado pela Cristina Aguilera, balançando a mãozinha e tudo...)
Como vocês podem ler ao lado, o novo layout tem algumas complicações nas versões antigas do Internet Explorer e outros navegadores diferentes do Firefox. Usem os comentários para dizer como a página funciona na sua tela, dizendo o seu navegador e versão instalada no seu computador. Os principais problemas que eu gostaria que você comentassem são:

- Se o corpo do blog está mal posicionado (abaixo da sidebar)
- Se as imagens em png estão realmente transparentes
- Se a função :hover está funcionando (links que "acendem" ao passar o mouse)

Sugestões de como resolver os problemas também são muito bem vindas. Qualquer outra função errada que você tenha percebido, por favor, deixe a gente por dentro. E quem não quiser se assustar, pode usar a versão simples, com todos os posts daqui, num layout básico do Blogger.


- Já volto com Ra Ra Riot e Mercury Rev.

Quinta-feira, Julho 24

Mixtape #7

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39,7 MB - Bitrate Variado




Quarta-feira, Julho 23

Música Para Acampamento

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O artista anuncia: "Vou tocar a pior canção que eu já escrevi!". Plenamente justificado pelo argumento de que, no palco, o artista deve balancear entre suas composições ruins e suas composições boas. A platéia adora, e ele emenda com uma canção obscura da sua discografia. Mais uma pausa para interação e ele tenta explicar quem é a dona da canção que vem em seguida. Ele pede pra platéia bater cabeça ao som de guitarras imaginárias e, é claro, não é atendido. Logo depois, estão todos hipnotizados por uma canção popular do seu repertório, do disco mais popular do seu repertório. Esse é o clima de "Colin Meloy Sings Live", um presentão para os fãs do Decemberists, e um bom ponto de partida pra quem ainda não teve o prazer de conhecê-los.
Algumas das melhores composições da banda são despidas em versões voz e violão, as mesmas que abusam de grandiosidade nos álbuns de estúdio. Passam as maravilhosas We Both Go Down Together e Here I Dreamt I Was An Architect (com Dreams, do Fleetwod Mac, como apêndice) e ninguém mais sente a falta de arranjos. E mesmo a enorme California One/Youth And Beauty Brigade (desta vez citando Ask, dos Smiths) sofre pouco com a solidão de Colin Meloy no palco. Há espaço também para os EPs "Colin Meloy Sings", citados com uma timidez jocosa pelo compositor antes de Barbara Allen, uma bela descoberta. Completam o álbum algumas raridades como Devil's Elbow (canção da banda de faculdade de Meloy), Dracula's Daughter ("a pior canção que ele já escreveu") e Wonder, composta em homenagem ao filho recém-nascido do líder do Decemberists.
A palavra aqui é descontração. Nada daquela seriedade do estúdio, só um cara talentoso, munido de um violão (às vezes desafinado) e muito bom humor. Dizem que não importa a vestimenta, até um mendigo pode impressionar se tiver charme. A analogia serve para Meloy e suas ótimas canções, sem pompa dessa vez, e esbanjando charme, sempre.


Colin Meloy - Sings Live! - 80
Ano: 2008
Gênero: Indie-Pop
IN Picks: Here I Dreamt I Was An Architect, We Both Go Down Together, Bandit Queen
Pra quem gosta: Neutral Milk Hotel, Samamidon, Sufjan Stevens






COLIN MELOY - WE BOTH GO DOWN TOGETHER

Sexta-feira, Julho 18

Seis cubinhos, por favor...

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Hoje em dia é muito fácil para uma banda nova se tornar “relativamente conhecida”. Seja por blogs (Oi, IndieNation!), MySpace, festivais independentes ou qualquer outra coisa que possa ser proporcionada pela tecnologia. Mas em 1987, como uma banda da Islândia ficava conhecida? A única opção viável (vamos ficar só no terreno da música que vale a pena) era ser realmente talentosa.
E o Sugarcubes, sem dúvida alguma, era uma banda talentosa. O álbum de estréia do quinteto, "Life's Too Good" (Elektra/ADA, 1988), foi gravado em tom de brincadeira por veteranos da cena pós-punk da Islândia e, contrariando todas expectativas, obteve reconhecimento internacional. Ainda foi ponte para uma futura e brilhante carreira solo de sua vocalista, que aos desavisados ou desatentos, era ninguém menos que Bjork.
Quando o single Birthday foi lançado na Grã Bretanha, em 1987, a aclamação da crítica desencadeou convites de dezenas de gravadoras interessadas em contratá-los, todos prontamente recusados. Interesse completamente justificado pelos arranjos hipnotizantes da fantástica Deus, a doce melodia de Birthday (que soa ainda mais graciosa na potente e jovial voz de Bjork) e as guitarras smithianas de Sick for Toys, destaques de um álbum excepcional, que ainda hoje soa fresco e energético. Como todo o trabalho posterior da vocalista da banda, "Life's Too Good" é um álbum com sonoridade diferente (às vezes estranha) mas sempre criativo e pessoal.


Sugarcubes - Life's Too Good - 90
DL
Ano: 1988
Origem: Islândia
Estilo: Indie Rock, Dance-Rock
IN Picks: Sick for Toys, Deus, Birthday, Blue Eyed Pop
Pra quem gosta de: Bjork, Cocteau Twins, Happy Mondays

Domingo, Julho 13

Top 5 - '99

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1) BUILT TO SPILL - KEEP IT LIKE A SECRET


O disco pop do Built To Spill. Relativizando bastante, "Keep It Like A Secret" poderia ser descrito assim. A influência de Pavement, Dinosaur Jr. e Neil Young soava acessível como nunca foi em toda a discografia da banda liderada por Doug Marstch. Mas no dicionário do Built To Spill, acessível não significa fácil, muito menos comprometido. Por isso, cada minuto dessas pequenas sinfonias guitarrísticas se torna fascinante para o ouvinte. A absurda Carry The Zero pode servir como porta de entrada para qualquer um ainda não apresentado à banda. Mas é um pecado destacar somente uma canção desse verdadeiro clássico do rock americano nos anos 90. Se você ainda não teve esse prazer, ouça o álbum inteiro! Agora!

DL
Estilo: Indie-Rock
Pra quem gosta de: Modest Mouse, Pavement, Wolf Parade

2) SIGUR RÓS - ÁGÆTIS BYRJUN


"We are simply gonna change music forever, and the way people think about music. And don't think we can't do it, we will".
Humildes, não? Ainda é muito cedo para mensurar o impacto que o Sigur Rós produziu na música, mas é certo que se trata de uma das mais importantes do novo século. "Ágætis Byrjun" é o segundo e impressionante álbum desses islandeses que podem visitar o Brasil no fim do ano. Da hipnotizante beleza de Svefn-G-Englar às inspirações cinematográficas de Avalon, passando pela drama épico de Viðrar Vel Til Loftárása, o álbum é uma magnífica construção que se aproveita de diversas estruturas sonoras, tantas que dificultam até o encaixe em algum gênero. Post-Rock é pouco para o Sigur Rós.

DL
Estilo: Experimental/Post-Rock
Pra quem gosta de: Eluvium, Hammock, Godspeed You! Black Emperor


3) THE FLAMING LIPS - THE SOFT BULLETIN


"O melhor álbum da década". "O álbum mais importante da década". "Estupendo". "Obra Prima". Isso foi só um pouco do que foi dito sobre "The Soft Bulletin" na época do seu lançamento. Nove anos se passaram e essa mistura de pop e psicodelia ainda continua fresca e intrigante. É praticamente um clichê classificar a atmosfera do álbum como celestial, mas não dá pra fugir da palavra ao encontrar êxitos como Race For The Prize, A Spoonful Weighs A Ton e Feeling Yourself Desintegrated. O destaque maior fica com Waitin' For A Superman, um clássico moderno, uma das letras mais bonitas já escritas no pop.

DL
Estilo: Neo-Psicodelia/Dream-Pop
Pra quem gosta de: Mercury Rev, Sparklehorse, The Helio Sequence


4) THE DISMEMBERMENT PLAN - EMERGENCY & I


Esse é um tipo de álbum difícil de encontrar por aí. Porque quem gosta do gênero normalmente faz besteira. Mas procurando com cuidado dá pra achar bons nomes como Les Savy Fav, Q And Not U e o já finado Dismemberment Plan (Eric Axelson está atualmente no agradável Maritime), que em 99 fez o seu melhor trabalho. Na escola Fugazi de punk, o Dismemberment Plan aprendeu a dosar energia e adquiriu uma rara inteligência para lidar com assuntos batidos, nas inspiradas letras de Travis Morrison. Mais um certa curiosidade para brincar com eletrônica e sintetizadores, e assim foi feita a base do empolgante dance-punk encontrado no álbum. Dos seus momentos mais frenéticos (Girl O'Clock, Memory Machine) aos mais elaborados (o synth-pop de You Are Invited, a grandiosa The City e o belo cartão de visitas do álbum, A Life Of Possibilities), todos os poros do Dismemberment Plan exalam uma força contagiante em "Emergency & I".

DL
Estilo: Emocore/Post-Punk
Pra quem gosta de: Q And Not U, Les Savy Fav, Braniac

5) SUPER FURRY ANIMALS - GUERRILLA


O terceiro álbum da banda galesa Super Furry Animals é uma coleção bizarra de pop e experimentação e elevou a banda para o primeiro time do Brit Pop no finalzinho da década de ouro da nova música britânica. O álbum começa acessível com a arrasadora Do Or Die, mas viaja freneticamente pra onde o nariz de Gruff Rhys estiver apontando, incluindo uma passagem pelo Brasil, na tropicalista Nothern Lites. O power-pop de The Teacher, a balada tradicional Fire In My Heart e inspiração em Beatles na última faixa, Keep The Cosmic Trigger Happy, completam os destaques do álbum.

DL
Estilo: Power-Pop/Neo-Psicodelia/Experimental
Pra quem gosta de: Blur, Unicorns, Beta Band

Sexta-feira, Julho 11

Top 5 - '99 (Leitores)

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1) SIGUR RÓS - ÁGÆTIS BYRJUN



Resenha e download em breve, no próximo post

2) THE FLAMING LIPS - THE SOFT BULLETIN



Resenha e download em breve, no próximo post

3) WILCO - SUMMERTEETH


O terceiro álbum do Wilco encontrou a banda longe da simples revitalização da música tradicional americana, no caminho iniciado pelo ambicioso "Being There", lançado três anos antes. "Summerteeth" é o parente mais próximo do recente "Sky Blue Sky", laços adquiridos por compartilharem uma descontração rara na discografia do Wilco (embora seja literalmente depressivo em alguns momentos). Destaque para os sinos que embalam I Can't Stand It, as baladas chamber-pop She's A Jar e Pieholden Suite, além do power-pop auto-ajuda Nothing'severgonnastandinmyway (Again). Brilhando ainda mais, a cínica e incrível How To Fight Loneliness. Um grande álbum!

DL
Estilo: Alt-Country
Pra quem gosta de: Son Volt, The Jayhawks, Pernice Brothers

4) RED HOT CHILI PEPPERS - CALIFORNICATION


Está aí (sob total responsabilidade dos leitores do blog) o álbum que fez renascer o Red Hot Chili Peppers, embora seja, na realidade, um versão menos inspirada do grande disco que a banda lançou na década de 90, "Blood Sugar Sex Magic". O álbum pode ser divido em dois pedaços: uma metade contendo músicas muito, muito ruins e outra rechada de hits certeiros, que levaram a banda de volta a superfície, após o encontro com o Belzebu em "One Hot Minute", de 96. O rótulo de "afaste-se" cai bem na risível Get On Top, para o exagero de Savior e para o insuportável violão de Road Trippin'. Do lado amigável, as onipresentes Scar Tissue e Californication, Otherside, This Velvet Glove e a quase cômica Purple Stain. Nem de um lado, nem de outro está Around The World, uma das composições mais divertidas do RHCP nos seus mais de 20 anos na estrada, o destaque absoluto de "Californication".

DL1 / DL2
Estilo: Funk-Metal
Pra quem gosta de: Jane's Addiction, Faith No More, Sublime

5) TRAVIS - THE MAN WHO


Embora o futuro tenha revelado que tudo não passou de fogo de palha, não há como negar que "The Man Who", o segundo álbum da banda escocesa Travis, é uma bela peça de pop-rock. Seja ameaçando embicar para um rock bocó a la Coldplay ou fingindo que tem bolas quando resolve pesar a mão, o Travis nunca foi uma banda muito confiável. Particularmente nesse álbum, a banda não balançou para nenhum dos seus pontos fracos. Writing To Reach You (que cita Wonderwall pra disfarçar a picaretagem) e Driftwood são destaques do álbum. Pena que dificilmente são percebidas diante da belezura que é Why Does It Always Rain On Me?, uma das canções mais bonitas produzidas pelo brit-pop nos últimos anos.

DL
Estilo: Brit-Pop
Pra quem gosta de: Coldplay, Teenage Fanclub, Athlete

Terça-feira, Julho 8

Clube dos Cinco - '99

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1999 foi um belo ano musical, vai ser uma escolha difícil. Vocês, escolham os seus com a ajuda daquela listinha esperta que sempre vem com alguma coisa errada/faltando. Eu já escolhi os meus. Valendoooo!

...And You Will Know Us By The Trail Of Dead, Madonna
Andrew Bird, Oh! The Grandeur
Arab Strap, Elephant Shoe
Astrid, Strange Weather Lately
Beck, Midnite Vultures
Ben Folds Five, The Unauthorized Biography Of Reinhold Messner
Beulah, When Your Heartstrings Break
BMX Bandits, C86 Plus
Bonnie Prince Billy, I See A Darkness
Built To Spill, Keep It Like A Secret
Charlatans, Us And Us Only
Chemical Brothers, Surrender
Death Cab For Cutie, Something About Airplanes
Delgados, Peloton
Dismemberment Plan, Emergence And I
Flaming Lips, The Soft Bulletin
Foo Fighters, There's Nothing Left To Lose
Foxymorons, Calcutta
Gorky's Zygotic Maniac, Spanish Dance Troupe
Ladybug Transistor, The Albemarle Sound
Le Tigre, Le Tigre
Los Hermanos, Los Hermanos
Magnetic Field, 69 Love Songs
Mogwai, Come On Die Young
Muse, Showbiz
Nine Inch Nails, The Fragile
Of Montreal, The Gay Parade
The Olivia Tremor COntrol, Black Foliage: Animation Music
Pavement, Terror Twilight
Phoenix, United
Red Hot Chili Peppers, Californication
The Rentals, Return Of The Rentals
Sigur Rós, Agaetis Byrjun
Smog, Knock Knock
Sparklehorse, Good Morning Spider
Stereophonics, Performance And Cocktails
Super Furry Animals, Guerrila
Supergrass, Supergrass
Tindersticks, Simple Pleasure
Travis, The Man Who
The White Stripes, The White Stripes
Wilco, Summerteeth


Resultado dia 11, por volta do meio-dia

Segunda-feira, Julho 7

Non Sense

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Desculpe, a piada não foi bem compreendida. E tem uma parcela da população mundial ocupadíssima em não se conformar com o fato da banda paulistana Cansei de Ser Sexy obter sucesso razoável no Primeiro Mundo. Mas nós temos complexo de colônia, e nos falta senso crítico, também. É por isso que, já que a Inglaterra engoliu a ítalo-house-global-fashion do CCS, nós todos devemos engolir também, inteirinho, sem engasgar.
Pense em todos os clichês do indie-dance-mauricinho. Pensou em todos mesmo? Se a resposta for sim, imagine agora eles todos reunidos numa mesma música. Agora imagine essa música repetida 11 vezes por uma banda vestida com roupas engraçadas, liderada por uma simpática jovem com a mesma pose da Gwen Stafani e a mesma voz da Avril Lavigne. Isso é "Donkey" (Sub Pop, 2008), o segundo (e desafiador) álbum do CSS. Quem resolveu dar um segunda chance depois de ouvir o refrão agradavél de Rat Is Dead (Rage), single lançado no site oficial há dois meses, não poderia imaginar que o nível poderia piorar. Mas tem aquela coisa, o "ruim" faz parte do bom humor non-sense de jovens bem nascidos e antenados. É partindo dessa premissa, que essa moçada rica e divertida enfileira hits modernos (há 20 anos atrás) como Believe Achieve, Move, Beautiful Song e Let's Reggae All Night. Como captadores de tendências que são, o CSS dá a mão ao Killers em I Fly e ao Bravery em Air Painter, tudo que há de mais inteligente na música atual.
No primeiro álbum, a continha do sucesso era simples: Falta de Habilidade (Tosqueira) + Humor MTV + Carisma + Fashion Week. No novo álbum, trocaram humor por produção, e consequentemente o resultado foi diferente. Uma pena, já que agora o argumento "você não entendeu a piada" se tornou inútil. Mas não vamos perder a pose. Afinal, não foi isso que a musa Paris Hilton ensinou.


CSS - Donkey - 32
DL
Ano: 2008
Origem: Brasil
Estilo: Electro
IN Picks: Rat Is Dead (Rage), I Fly
Pra quem gosta de: Ting Tings, Peaches, Gwen Stefani

Sexta-feira, Julho 4

Top 5 - '98

Marcadores: , | postado por César M. às 00:26 | Edit This
1) NEUTRAL MILK HOTEL - IN THE AEROPLANE OVER THE SEA


O status clássico que "In The Aeroplane Over The Sea" tem hoje mostra exatamente como o foco da mídia musical mudou durante essa década. Se há vinte anos atrás, uma revista conseguiu colocar no imaginário das pessoas que Ian Brown é um herói do pop, agora é vez da blogsfera e as pitchfags criarem seu próprios mitos. Superestimando discos tão bons quanto esse segundo do Neutral Milk Hotel, o holofote pode continuar sendo guiado por eles numa boa. Agora, Panda Bear não, né?
Em seguida, a resenha escrita pelo simpático Victor Hugo na semana passada, sobre esse grande álbum:

Trompetes, Saxofones, Percussão, um violão com cordas de nylon e uma voz de bêbado.
Acredite, isso é bem melhor do que aparenta. De forma crua, isso seria o Neutral Milk Hotel, se não fossem os trompetes, saxofones, percussão e todo o resto, criando um som extremamente climático, apropriado e inteligente, não fosse o simples violão martelado de forma quase marcial, não fosse a voz de bêbado de Jeff Mangum, soando a todo momento como se o coração dele fosse sair pela garganta após cada frase cantada. Mas acredite, a banda ainda consegue ir além disso.
Durante sua curta duração (lançaram apenas 2 álbuns - "On Avery Island" de 1996 e "In the Aeroplane over the Sea" de 1998), eles sempre soaram espontâneos e verdadeiros. Em palavras do próprio mentor da banda, "In the Aeroplane..." foi um disco nascido do estado emocional em que o deixou a leitura dos diários de Anne Frank. Prova disso talvez seja que todo o álbum é permeado por um tom bem melancólico, ao mesmo ponto que expressa momentos de dor e aparente raiva. Uma obra que mescla simplicidade, poética abstrata, inteligência e principalmente... sensibilidade. Obrigatório!


DL
Estilo: Fuzz-Folk/Indie-Pop
Pra quem gosta de: The Decemberists, Olivia Tremor Control, Oh No! Oh My!


2) AFGHAN WHIGS - 1965


"1965" é resultado de uma busca que durou 10 anos. Embora o trajetória tenha deixado marcas gloriosas como "Gentlemen" e "Congregation", somente no álbum de 98 é que Greg Dulli conseguiu a fusão perfeita da sensualidade soul com as guitarras vibrantes do college rock, onde a banda nasceu. Talvez por ter considerado o trabalho feito, a partir de "1965" a banda já não existia mais. Dulli montou o Twillight Singers para tentar atingir a mesma satisfação. Bons resultados surgiram, mas nada como o que ele conseguiu aqui. Mas convenhamos, essa é a foda do século!

DL
Estilo: Indie-Rock/Soul
Pra quem gosta de: Screaming Trees, Afterhours, Twilight Singers


3) ELLIOTT SMITH - XO


Quando foi lançado, em 98, esperava-se que "XO" fosse a porta de entrada de Elliott Smith para o mainstream. Lançado pela Dreamworks, logo após uma indicação ao Oscar pela participação na trilha do filme "Gênio Indomável" (de Gus Van Sant), o álbum não conseguiu levar o compositor para muito longe dos críticos e aficcionados por música. Simplesmente porque foi muito além disso. Smith não precisou poupar sua veia pop, muito menos sua melancolia. Fez exatamente o que sempre soube fazer: música, música da alma, música de verdade. Talvez a única diferença tenha sido o cuidado maior com produção e a inclusão de arranjos mais elaborados, ocasionalmente. No mais, é Elliott Smith e sua voz suave, a serviço de canções belíssimas, com destaque para Baby Britain, Independence Day e Bled White, brilhando no álbum que estabeleceu o nome de Smith como um dos maiores compositores da cena alternativa americana.

DL
Estilo: Singer-Songwriter/Folk/Sadcore
Pra quem gosta de: Bon Iver, Beatles, Jozé Gonzalez


4) TORTOISE - TNT


Falar sobre Tortoise leva sempre a palavra "dificuldade". Por isso não é tarefa fácil encontrar muito disposição quando se apresenta a banda a alguém não familiarizado. É kraut, dub, experimentação eletrônica, jazz... post-rock! Não tem como fugir, o Tortoise é difícil mesmo. O jeito é fechar os olhos e viajar: imagens de lugares diferentes, situações diferentes, pessoas diferentes, sempre mudando lentamente na sua cabeça, de acordo com inquietação da trupe liderada por John McEntire. A música aqui não te convida, a intenção para o embarque tem que partir de você. O que eles podem oferecer é o álbum mais coerente, bem realizado e acessível (por que não?) do Tortoise.

DL
Estilo: Post-Rock/Experimental/Dub/Jazz
Pra quem gosta de: Gastr Del Sol, Stereolab, Jim O'Rouke


5) CAT POWER - MOON PIX


Tão, tão triste. E tão, tão maravilhosa. O fato é que Cat Power é irresistível. Tanto, que você até esquece da complexidade de "Moon Pix", o ponto alto da carreira de Chan Marshall. É meloncólico, devastadoramente depressivo, mas a voz embargada da moça é capaz até de te fazer sorrir. Isso porque a beleza do álbum não é só a lembrança do rosto perfeito de uma mulher: é a beleza que se encontra em coisas não muito óbvias, também. Afinal, até a dor tem lá a sua quota de harmonia. E é nessa condição que Chan Marshall procura basear a sua música. O que deixa ela bem a vontade para dançar em Cross Bones Style e falar de coisas menos dolorosas em American Flag. Mas o resto é pura dor, música feita de coração partido, encharcado de álcool.

DL
Estilo: Sadcore/Folk
Pra quem gosta de: Feist, Basia Bulat, PJ Harvey

Quinta-feira, Julho 3

Acendendo o Beck

Marcadores: , , | postado por César M. às 02:19 | Edit This

Beck Hansen estava precisando se reciclar. O hip-hop lo-fi de "Odelay" foi um dos momentos definitivos nos anos 90, mas não cabia mais revisitação. Depois do honesto "Guero", do decepcionante "The Information" e da deluxe edition do clássico de 96, a impressão era que o balão de Beck esvaziou. "Modern Guilty" (2008, XL) pega um pouco da vibração da estréia, outro tanto do funk de "Midnight Vultures" e mais um pouco do swing brasileiro de "Mutations" para tentar dar um remexida nessa aparente estagnação criativa, com a ajuda do produtor Brian "Danger Mouse" Burton (uma das metades do Gnarls Barkley, e que também produziu o álbum mais recente da dupla Black Keys) e de uma nova casa (sai Geffen, entra XL).
Mais focado em pop psicodélico, Beck inicia o disco chamando uma discreta Cat Power para dividir os vocais em Orphans. Gamma Ray diverte, logo em seguida, com todo o seu clima Austin Powers. A batida diminui bastante no primeiro single, Chemtrails, que procura em paisagens dream-pop sua inspiração (contando também com uma participação não muito identificável de Cat Power). Na faixa título, Beck se dá bem lembrando um Beatles tecnológico mas, em seguida, o R&B-Timbaland de Youthless surge como o ponto fraco do álbum.
O folk poluído de Walls abre bem a segunda metade de "Modern Guilty". Replica segue usando o som embaçado da bateria na faixa anterior, mas vai em direção ao eletrônico desesperançoso do ínicio da década (coisas como Squarepusher e a fase "Kid A" do Radiohead). Baseado num riff stoner, Beck lembra bastante Josh Homme em Soul Of A Man, o lado mais rocker do álbum. Já em Pronfanity Prayers, Beck repete a idéia já usada em Gamma Ray, mas a infiltração de um violão impede que a faixa caia no esquecimento. Volcano, no final, carrega uma grande influência de Elliott Smith, lembrando os bons momentos de "Sea Change".
"Modern Guilty" aparece inesperadamente nessa metade do ano, e inesperadamente pode servir como uma virada na carreira do compositor. Em 33 minutos, Beck inesperadamente provou que ainda merece nossa atenção.


Beck - Modern Guilty - 80
DL
Ano: 2008
Origem: EUA
Estilo: Pop-Psicodélico
IN Picks: Chemtrails, Volcano, Gamma Ray
Pra quem gosta de: Beastie Boys, Ween, Cornelius

Domingo, Junho 29

Bom, bonito e barato

Marcadores: , | postado por Renata às 22:56 | Edit This
Ninja, do The Go! Team

Ontem rolou o Motomix 2008 e, assim como aconteceu ano passado no Planeta Terra Festival, tive um ótimo exemplo de que show, pra ser bom e bem organizado, não precisa ser caro. Ao contrário do Tim Festival de São Paulo que decepcionou em organização (atraso em pleno domingo à noite, que fez muita gente sair do show e ir direto pro trabalho na segunda-feira), o Motomix foi de graça, bem organizado, com ótima estrutura de som e excelentes apresentações.

Das bandas premiadas, só consegui ver Stop Play Moon e Nancy (perdi Venus Volts). Achei a paulistana SPM
com um som bem interessante, predominantemente electro. Já Nancy, como comentaram algumas pessoas lá, parecia um "Ludov do Cerrado" (no mau sentido). Banda inexpressiva, som sem diferencial algum, enfim, não é possível que não havia nenhuma outra banda melhor para ser premiada (ou será que o resto era tão pior??). Entre uma apresentação e outra, a dupla de DJs Killer On The Dance Floor garantiu o bom indie-electro no ar.

Das atrações internacionais, só coisa boa! Começou com Fujiya & Miyagi, que apresentou faixas dos 2 discos e algumas novas do que está para ser lançado (Lightbulbs). The Go! Team foi (ao meu ver) o ponto alto do evento e interpretou hits como Ladyflash e Grip Like a Vice. O sexteto é elétrico, canta, dança, troca de instrumentos, pula sem parar. E quem vê, não consegue ficar parado... a interação da banda com o público é excelente. E para encerrar a noite, num outro mood, entrou o Metric no palco, liderado por Emily Haines e que para a maioria era a atração principal, com um coro ainda maior que para o Go! Team.

Quem não teve o preconceito de achar que show gratuito é ruim, não se decepci
onou. Por esse motivo achei que valia a pena fazer o elogio aqui. E claro, fico feliz a cada vez que novos eventos desse tipo surgem não só aqui mas em todas as cidades. Precisamos parar com esse pensamento de que pra ser bom tem que ser caro. Esse é um bom exemplo tanto pra quem gosta quanto para quem organiza shows e espero que essa tendência se estabeleça de vez por aqui.

Qualidade atrai qualidade.

P.S.: agradecimento ao Adriano Lima, que tirou ótimas fotos e representou o IndieNation na ala de imprensa do Motomix 2008.

Quinta-feira, Junho 26

Top 5 - '98 (Leitores)

Marcadores: , | postado por César M. às 13:25 | Edit This
1) PLACEBO - WITHOUT YOU I'M NOTHING


Vindo de uma escolha popular, essa primeira posição não é nada muito inesperada. O punk-pop andrógeno e responsável do Placebo é de assimilação muito fácil, e isso explica a enorme popularidade que a banda ainda tem. "Without You I'm Nothing", o segundo disco da banda multicultural (e multisexual também!), é o lado mais elegante desse som. Os hits (onipresentes na época) Every You Every Me e Pure Morning são figurinhas fáceis em festinhas indies por aqui. E a raivosa You Don't Care About Us mostra, cheia de afetação, que a banda é uma usina de punk pegajoso. Nessas que você que você se pega cantarolando as melodias malemolentes do Placebo e vê que não é preciso tanta resistência. Tudo bem, é música referencial demais. Mas diante do clamor popular, a gente esquece isso por enquanto.

DL
Pra quem gosta de: Mansun, Suede, Elastica


2) QUEENS OF THE STONE AGE, S/T


Outra barbada da eleição. O primeiro álbum do Queens Of The Stone Age, embora não seja tão vistoso como o sucessor "Rated R", é pura vitalidade. Os vocais quase carinhosos no meio de um massacre de guitarras regadas a testosterona impressionaram uma parcela da crítica que sempre fez vista grossa ao Kyuss. Ecos grunges são ouvidos por todo o disco, especialmente Screaming Trees na ótima If Only e Soundgarden no heavy-blues Walkin' On The Sidewalks. As imediatas Regular John e Avon são outros destaques.

DL
Pra quem gosta de: Screaming Trees, Kyuss, Fu Manchu


3) BELLE AND SEBASTIAN - THE BOY WITH THE ARAB STRAP


Só indie-darlings nessa eleição? Também cultuadíssimos na segunda metade dos anos 90, o Belle And Sebastian fez o seu terceiro disco para consolidar essa base de fãs. "The Boy With Arab Strap" funciona como um aprimoramento do folk pop sensacional de "If You're Feeling Sinister" (que permanece até hoje como o melhor álbum) e dos elogiadíssimos EPs que vieram a seguir. Stop The Clock Around é quase uma canção do Morrissey, se por acaso ele fosse bem mais tímido, talvez para combinar com a "covardia" do protagonista da canção. Momentos de uma agradável melancolia (It Could Have Been A Brillant Carear, Syemour Stein, a faixa título) completam o panorama desse belo trabalho "retrogressivo".

DL
Pra quem gosta de: Camera Obscura, Velvet Undergound, The Lucksmiths


4) AIR - MOON SAFARI


A salada eletrônica de influências do Air nunca foi tão saborosa quanto na estréia, "Moon Safari", que encabeçou várias listas de melhores do ano em 98. Ajudado pelo super hit Sexy Boy, essa fusão do pop sessentista com trip hop, bossa nova e eletrônica ambient conseguiu também bastante popularidade. Para quem gosta de Sexy Boy, outro hit no mesma batida é Kelly Watch The Stars. Para os amantes do chill out, a abertura do álbum com La Femme D'Argent é uma boa pedida. E os samples de Beach Boy em Remember, tranformaram a música em um dos clássicos da eletrônica na década passada.

DL
Pra quem gosta de: Boards Of Canada, The Bird And The Bee, Huscky Rescue


5) ELLIOTT SMITH - XO


Resenha e download em breve, no próximo post.

Quinta-feira, Junho 19

Clubes dos Cinco (1998)

Marcadores: , | postado por César M. às 16:43 | Edit This
Listas. Quem não gosta de listas?
A próxima lista será assim: Os 5 Melhores Discos de 98. E de 99. De 2000, 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07, 08... Os 5 melhores dos últimos 10 anos. Os 5 melhores por votação popular e os 5 melhores do déspota aqui. Só votar aí nesse homenzinho azul.
Começando por 98, é claro. Só vai rolar se tiver uma quantidade decente de gente votando.
Eu já fiz a minha, e só pra não influenciar, eu digo que tem Elliott Smith e Afghan Whigs...


[EDIT:]
Explicando melhor: Cada vez que eu colocar um post desses, vocês escolhem 5 por ano. Agora, os 5 melhores de 98. Pra ajudar, aí vão alguns dos discos lançados no ano:

Air, Moon Safari
dEUS, The Ideal Crash
Rufus Wainwright, S/T
The Beta Band, The 3 EPs
Afghan Whigs, 1965
Andrew Bird, Thrills
Cake, Prolonging The Magic
Cat Power, Moon Pix
Pearl Jam, Yield
R.E.M., Up
Don Caballero, What Burns Never Returns
Elliott Smith, XO
Gomez, Bring It On
Lauryn Hill, The Miseducation Of
Mercury Rev, Deserter's Songs
Cardigans, Gran Turismo
Massive Attack, Mezzanine
Mojave 3, Out Of Tune
Cinerama, Va Va Voom
Mundo Livre S/A, Carnaval Na Obra
Pulp, This Is Hardcore
Belle And Sebastian, The Boy With The Arab Strap
Placebo, Without You I'm Nothing
Quasi, Featuring "Birds"
Queens Of The Stone Age, S/T
Silver Jews, American Water
Apples In Stereo, Her Wallpaper Reverie
Sparklehorse, Good Morning Spider
Spoon, A Series Of Sneaks
Tortoise, TNT
Delgados, Peloton
Blonde Redhead, In A Expression Of The Inexpressible




Valendooooo!
[/gugu]

Terça-feira, Junho 17

Tristeza Sincera

Marcadores: , , | postado por César M. às 17:39 | Edit This

Antes do Sun Kil Moon, responsável por um dos melhores lançamentos desse ano ("April"), Mark Kozelek comandava o Red House Painters, banda fundamental do rock alternativo americano na década passada. Desde "Down Colorful Hill", a poderosa estréia em 1992, já estava claro que o Red House Painters era Mark Kozelek. Mas só em "Ocean Beach" (4AD, 1995) foi possível chamar a banda de projeto solo sem medo de errar. O álbum foi o ponto de nascimento de todos os elementos que caracterizariam o trabalho de Kozelek dali em diante, incluindo os elementos literais.
Cabezon, a ensolarada faixa instrumental que abre o disco, poderia até ter assustado os fãs numa primeira audição, mas a sequência se mantém honrando o termo slowcore, inventado para acomodar a tristeza de Kozelek. A única canção que mantém o upbeat da abertura é a hipnotizante San Geronimo, quase agressiva para os termos do RHP, um ponto claro para enxergar a maturidade que o álbum representa. O foco mais acústico de "Ocean Beach" reserva os outros momentos brilhantes: Over My Head (o último respiro do Red House Painters como banda) e a desconcertante Drop, que fecha o disco abusando de sinceridade ao falar sobre um relacionamento fracassado.
Alguém disse, em algum lugar, que a música de Kozelek mantém as rosas e os espinhos inseparáveis. E se esse cara quer provar que beleza e tristeza são naturalmente equivalentes, "Ocean Beach" é, até hoje, o seu melhor argumento.


Red House Painters - Ocean Beach - 91
DL
Ano: 1995
Origem: EUA
Estilo: Slowcore, Sadcore/Folk-Rock
IN Picks: San Geronimo, Drop, Cabezon
Pra quem gosta de: Mojave 3, American Music Club, Nick Cave

Segunda-feira, Junho 16

Bravo Capitão

Marcadores: , , , | postado por César M. às 17:15 | Edit This

A discografia intensa e irregular do Boo Radleys anda esquecida diante da monstruosa quantidade de informação musical recebida atualmente. Por aqui, a banda de Liverpool nem esquecida foi, já que pra esquecer alguma coisa, é preciso antes conhecer. Enquanto na Inglaterra a banda conviveu com uma certa popularidade no período da explosão do brit-pop, no Brasil, eles não passavam de ilustres desconhecidos. Pra resgatar o auge do Boo Radleys, o IndieNation traz os dois discos mais importantes dessa discografia.
"Everything's Alright Forever" (Creation, 1992) não era visto com esses bons olhos no seu lançamento. Renegado ao segundo time do shoegaze, o álbum sofreu por ter sido lançado já na ressaca do gênero. Assim, muita gente não viu o potencial de Lazy Day, guitar-pop magistral de apenas 1 minuto e meio. Nem dos metais que assombram em Spaniard e confortam em Paradise, já dando a dica do deslumbre que seria o álbum seguinte. Provocadoramente intitulado, "Giant Steps" (Creation, 1993) marcou a virada na carreira da banda. Martin Carr, o líder do Boo Radleys (agora no Brave Captain), brincou de gênio e levou a influência de Kevin Shields pra passear junto de psicodelia, synth pop, jazz e até reggae (ouça Upon 9th and Fairchild). I Hang On Suspended começa o álbum num formato mais clássico, lembrando as canções do Pulp, mas a sequência é de uma diversidade embasbacante: enquanto I Wish I Was Skinny encanta com um guitarrinha grudenta a serviço de uma melodia inocente, Leaves And Sand, de pretensões épicas, abusa de distorções, logo em seguida. Sem tempo para respirar Butterfly McQueen surge como a canção símbolo do álbum: começa só com o violão, rapidamente vira jazz-rock, e mais rápido ainda entra num upbeat que desiste de seguir diante do barulheira infernal do epílogo, tudo isso em pouco mais de 3 minutos. Barney (and Me...) serve como escape pop, mas isso não impediu que Carr colocasse obstáculos no percurso, mesmo caso de Best Lose The Fear e seu refrão marcante. A álbum segue irrepreensível até o fim, beirando a perfeição.
Após "Giant Steps", o Boo Radleys mergulhou de vez no brit-pop com "Wake Up!", novamente bem recebido pela crítica, mas já sem o toque de genialidade do antecessor. Wake Up Boo foi hit na época e levou a banda a cruzar a fronteira do mainstream. "C'mon Kids" (um disco irregular, porém mais atraente que "Wake Up!) e "Kingsize" ainda vieram. O último, fracasso comercial e criativo, provocou o fim da banda, meses depois.


The Boo Radleys - Everything's Alright Forever - 80
DL
Ano: 1992
Origem: Inglaterra
Estilo: Shoegaze
IN Picks: Lazy Day, Paradise, Does This Hurt?
Pra quem gosta de: My Blood Valentine, Pale Saints, Dinosaur Jr.





The Boo Radleys - Giant Steps - 97
DL
Ano: 1993
Estilo: Pop Psicodélico/Brit-Pop/Shoegaze
IN Picks: Deixa pensar... TODAS!
Pra quem gosta de: Spiritualized, Pulp, My Blood Valentine






BOO RADLEYS - LAZY DAY




*Dr. Dog reupado.

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