IndieNation - Rio de Janeiro, Brasil - CONTATO

Fim


O último suspiro do IndieNation, o choro do bebê Lo-Fi Dream. Essa edição não terá a lista de músicas mas quem acompanhou a época de Blogger conhecerá todas. E quem não acompanhou também, são faixas bem óbvias. Mas todas de grande valor sentimental. Apesar de só ter faixas de 2001 para frente, não é um Best Of da década passada, é uma tentativa de relembrar os artistas que mais apareceram no blog durante esses 6 anos. Ouça e jogue fora:

Podcast 12

Agora eu estou aqui: www.lofidream.com


e em breve, no Fita Bruta

Round and Round and Round


Resenha | Girls - Father, Son, Holy Ghost


* Originalmente publicado Na Fita

Quando “Hellhole Ratrace” começou a ganhar elogios nos blogs americanos, na metade de 2009, as matérias sobre o Girls eram sempre ilustradas por uma foto do líder, Christopher Owens, usando uma camiseta do Nirvana. À época, parecia curioso, se combinado ao humor do single, melancólico-resignado, com instrumentação shoegazer. Com o álbum completo, a imagem parecia fazer um pouco mais de sentido, à medida que a dupla revelava, não totalmente, certa sintonia com o rock americano dos anos 90, incluindo o rock de moleques que usavam camisa do Nirvana (mesmo que metaforicamente).Agora, no segundo disco, fica ainda mais claro: o Girls é mesmo uma banda de rock americana dos anos 90.

Por isso, a aclamação de um disco de rock classicista como Father, Son, Holy Ghost [True Panther/Matador, 2011] pelas publicações musicais modernas é de certa maneira surpreendente, levando em conta o aparente asco que jornalistas do tipo tem da geração X. Talvez porque Owens entregue ao ouvintes canções de reverência disfarçada, à moda das bandas de rock da época (não estamos falando de Black Crowes), como as relações entre Neil Young e Built to Spill ou Pearl Jam, Pixies e Nirvana, Black Sabbath e Soundgarden: música claramente referenciada mas com a cara do momento em que foram criadas. Se a habilidade serve para criar números de personalidade como “Vomit” (que começa como uma reprodução fajuta de “Street Spirit” e ressurge na esperteza da combinação do vocalise gospel/RnB com distorção) e “Love, Like a River” (blues de natureza similar porém mais adocicado), porque não usar da mesmas armas pra salvar baboseiras como “Magic”, “Saying I Love You” e “Jamie Marie” da irresistível modorra?

 Uma explicação talvez passe por uma suposta crença do compositor de que a veracidade da suas tristezas (Owens, você já deve saber, poderia facilmente ser um personagem do cinema) seja suficiente para tornar sua música real. E não é. Mesmo que a lírica melancólica encontre justificativa numa vida difícil, a música que, por diversas vezes, resvala na paródia, não tem lá muita explicação.

 Usando as duas maiores influências da dupla, Built to Spill e Spiritualized, para tentar encontrar uma outra justificativa bem mais fantasiosa, pode-se dizer que a intenção de ser uma banda dos anos 90 foi levada à termos literais: a música aqui soa como a dessas bandas em seus discos mais recentes, vencendo mas usando o regulamento. Contudo, Christopher Owens e Chet White não tem os mesmos 30 anos de estrada. Talvez se os dois se dessem conta disso, Father, Son, Holy Ghost seria mais bem sucedido.




FICHA TÉCNICA
Artista: Girls
Álbum: Father, Son, Holy Ghost
Origem: EUA
Ano: 2011
Gênero: Rock
Escolhas do IN: "Love, Like a River", "Vomit"
Pra quem gosta de: Rolling Stones, Spiritualized, Stone Roses

Irmãs #2

ANIMAL COLLECTIVE - FIREWORKS

ROD STEWART - YOU'RE IN MY HEART

____________________________________________________


CSS - LET'S MAKE LOVE

ROD STEWART - DA YA THIN I'M SEXY

JORGE BEN - TAJ MAHAL


Obs: Nessa tag eu coloco músicas com melodias parecidas. No último caso, pras 2 pessoas que não sabem, é um plágio mesmo: Rod Stewart fez acordo judical e pode tocar a música dando uns cascalhos pro Jorge Ben (Jor).


Curtas | The Field, Youth Lagoon, Stevie Jackson

THE FIELD - LOOPING STATE OF MIND [Kompakt, 2011]
Gênero: House/Techno
A coisa techno que o Field faz tem vários nomes, a depender da publicação, mas sua melhor definição é, obviamente, "looping state of mind". E isso é algo entre o Gas e o Seefeel (o dos anos 90), algo mais definido e bem realizado (literalmente falando, mais desencanado, menos envergonhado de ser tecno) do que Pantha du Prince. Isso não quer dizer ser mais elementar: esse é um álbum mais rico que a badalada estréia From Here We Go Sublime, em que todo disco formava um bloco uniforme. Looping State of Mind é, em cada faixa, um temperamento diferente (destaque pro insano em "Sweet Slow Baby" e o celebratório em "Burned Out", mais alinhada com o humor da debut e de Yesterday and Today). É a obra que pode levá-lo pra fora do nicho porque é, por várias razões, o melhor trabalho de Axel Willner.





STEVIE JACKSON - I CAN'T GET NO (STEVIE JACKSON) [Banchory, 2011]
Gênero: Indie Pop
 Stevie Jackson é aquele mesmo, do Belle and Sebastian, aquele mais engraçadinho e menos dramático que Stuart Murdoch, o integrante mais conhecido. Na sua estréia solo e faz o mesmo que faz em grupo com uma única diferença: este é um disco, digamos, solo... Como reflexo da personalidade do artista, I Can't Get No (Stevie Jackson) - belíssimo trocadilho - é um álbum engraçadinho e menos dramático do que os capitaneados por Murdoch. E, por isso, sem a sutileza e as variações de humor dos melhores discos da banda escocesa. Jackson tenta compensar com letras espertas ("Press Send" é bem engraçada) e um divertidíssima falta de vergonha para a auto-depreciação. Funciona, aqui e ali, mas não tornam mais fáceis os aparentemente longos 40 minutos de duração. Como curiosidade, aparecem Kurt Dahle, John Collins (New Pornographers) e Katrina Mitchell (The Pastels) como convidados.





YOUTH LAGOON - THE YEAR OF HIBERNATION [Fat Possum, 2011]
Gênero: Indie Pop/Lo-Fi
The Year Of Hibernation é disco tão pequeno, na sua atitude, na sua forma e no seu volume, que parece reafirmar do desejo do artista explícito no título. Então, dizer que a estréia do jovem Trevor Powers é tímida não é relativizar a falta de talento: eis aqui um disco tímido na acepção mais utilizada da palavra. É o que se chamava de indietronica em 2005, mas feito "in the basement" com três ou quatro filtros de reverb do Ableton (porque estamos em 2011 e Trevor é tímido, não burro). Que me perdoem os autistas (e a AMA - Associação dos Amigos do Autista - não me processem, ok?), mas depois de tantos filhos, o Postal Service gerou mais um. Autista.



ProBlogger


Resenha | Destroyer - Kaputt


Eu escrevo resenhas para mim. Eu escrevo resenhas para mim.

Não vou me estender sobre motivações da arte. Tem gente que faz arte para si, tem gente que faz arte para crítica, tem gente que faz arte para públicos imensos. E há bons exemplos em todos os casos. Mas vamos partir do princípio que escrever pra si seja o mais próximo do ideal. Daniel Bejar, nesse caso, está próximo do ideal. Na primeira faixa de Troubles In Dreams ele brinca com ouvinte: "Eu te digo o significado disso, talvez não imediatamente... talvez nunca!". Em entrevistas, ele se recusa a dizer o que cada frase, verso ou canção significa. E em "Blue Eyes" diz, claramente, "Eu escrevo poesia para mim, eu escrevo poesia para mim!". Olha que esse "eu" pode ser só o personagem pois sou ator da canção, porém, tudo indica que "eu" é "ele", nesse caso.

Aí você perguntaria: "Porque gravas então, idiota?" (ou "Porque publicas então, idiota?", para mim). Porque de alguma maneira, pessoa nascida e criada no calor do Rio, com pretensões profissionais na área da saúde, se acha muita parecida com pessoa nascida e criada no frio de Toronto, com pretensões profissionais na área das artes plásticas. É o mistério da arte, da identificação com a arte.

Por alguma razão, a forma que Daniel Bejar vê a música é extremamente similar com a ideal (o meu), a perfeição (a minha), ao que eu faria se músico fosse. Serve à experimentação aqui e ali ("Bay of Pigs", estréia estupidamente lo-fi, colaborações com Tim Hecker e Loscil) sem nunca abandonar a melodia, seja torta ("The Bad Arts", "Jackie, Dressed in Cobras"), seja clássica ("European Oils", meu Deus, "European Oils"!). O homem é Stephen Malkmus e é Ivan Lins, também, sente o drama.

Kaputt [Merge, 2011],  LP em que diz que escreve só pra si, é contraditoriamente seu álbum mais popular. Mais popular que Rubies, um disco de canções (tirando os números de abertura e encerramento). A relação atual do ouvinte médio com a música talvez explique o porquê: o mais recente parece corresponder o tesão idiota dessa geração por música sintética mesmo que, na realidade, nem mesmo dê uma piscadela em direção a esse público (idiota). A faixa-título, "Blues Eyes", "Suicide Demo for Kara Walker"... todas dialogam com o indefensável desse mundo, com o que a publicidade não aprovou. A inclusão de "Bay of Pigs", lançada em 2009 e que termina Kaputt como um resumo do que se passou, parece até deboche. Mas a identificação ocorreu. É misterioso, não falei?

- Esse seria meu último post no IndieNation. Eu ia terminar com um conselho (eu vou terminar com um conselho), que daria a toda essa conversa um sentido. Mas não será o último, ou seja, o fim não fará tanto sentido assim. Segue... -

Então, você, jovenzinho que gosta de escrever sobre música: escreva pra si mesmo! Se você fizer bem (e se você já ouviu música suficiente para escrever sobre, é claro), vai funcionar do mesmo jeito.






FICHA TÉCNICA
Artista: Destroyer
Álbum: Kaputt
Origem: Canadá
Ano: 2011
Gênero: Synth-Pop
Escolhas do IN: "Suicide Demo For  Kara Walker", "Bay of Pigs", "Kaputt", "Blue Eyes"
Pra quem gosta de: Roxy Music, Talk Talk, Morrissey

It's Indie Time

Podcast #11


     
Podcast #11 | Download


1 | HARMONIA & ENO '76 | WELCOME | TRACKS AND TRACES [GROENLAND, 2010/1976]
2 | CAN | VITAMIN C | EGE BAMYASI [UNITED ARTISTS, 1972]
3 | THE CLASH | THE GUNS OF BRIXTON | LONDON CALLING [CBS, 1978]
4 | SLY & THE FAMILY STONE | RUNNIN AWAY | THERE'S A RIOT GOIN' ON [EPIC, 1971]
5 | TIM MAIA | GOSTAVA TANTO DE VOCÊ | TIM MAIA [POLYDOR, 1973]
6 | STEVIE WONDER | GOLDEN LADY | INNERVISIONS [MOTOWN, 1973]
7 | TODD RUNDGREN | HELLO, IT'S ME | SOMETHING/ANYTHING [BEARSVILLE, 1972]
8 | WIRE | OUTDOOR MINER | CHAIRS MISSING | [HARVEST RECORDS, 1978]
9 | FELA KUTI | ROFOROFO FIGHT | ROFOROFO FIGHT [EDITIONS MAKOSSA, 1972]
10 | SERGIE GAINSBOURG | EN MELODY | HISTOIRE DE MELODY NELSON [PHILIPS, 1971]
11 | SHUGGIE OTIS | HAPPY HOUSE | INSPIRATION INFORMATION [EPIC, 1974]
12 | NEIL YOUNG | ON THE BEACH | ON THE BEACH [REPRISE, 1974]
13 | MARCOS VALLE | MAIS DO QUE VALSA | PREVISÃO DO TEMPO [EMI, 1973]
14 | HERBIE HANCOCK | HORNETS | SEXTANT [COLUMBIA, 1973]

Discografia Comentada | Muse

Resenha | Copacabana Club - Tropical Splash


Como apêndice de resenha, assim, bem en passant, para não incomodar, comenta-se que algumas escolhas da banda Copacabana Club (como o nome, da banda e do disco, por exemplo) revelam certo oportunismo. É certo que não é feitio da imprensa brasileira se indispor com essa juventude bem nascida mas essas escolhas dizem muito mais do que a crítica brasileira (inclua aí, irresponsavelmente, blogs) enxerga. É algo confuso no cerne do conceito artístico: eles simplesmente poderiam não saber tocar (check!), eles simplesmente poderiam não ter criatividade (check!), eles simplesmente poderiam ter chegado um pouco atrasados (check!), tudo facilmente perdoável... O problema é que os planos de grandiosidade do quinteto curitibano acabam transformando a natureza do negócio: definitivamente, Tropical Splash [ST2, 2011] não é música.

Pra não deixar maiores dúvidas sobre o conteúdo deste LP, Tropical Splash é uma peça publicitária. Muito da música jovem da década passada tem essa característica e, sendo essa a aparente fonte única de inspiração dos artistas em questão, seu peso duplica. Com exceção de um número sessentista (não me diga!) lá pelo meio do disco, todas as faixas são uma tentativa de reproduzir mecanicamente o sucesso comercial do rock dançante da década anterior, música de comercial da Adidas, música para Popload. Não há nenhuma referência a algo tropical/ao Tropicalismo per se, exceto no conceito mercadológico da coisa, uma tentativa de enganar estrangeiros ao localizá-los próximos da música de invenção brasileira, quando a verdade é que este álbum está próximo da (ou na) prateleira de liquidação do indie-dance-inglesinho de 2005, junto de Goodbooks, Sunshine Underground, CSS e outros nomes igualmente insignificantes.

O Copacabana Club é um grande plano, iniciado com o vídeo super-produzido de "Just Do It" (faixa que reaparece em Tropical Splash e dita o compasso de quase todas as outras faixas, ou vocês acham eles são bobos?), que peca por começar de cima para baixo. Se a intenção de tropicalizar a música jovem nacional é transformá-la num insuportável editorial de moda da Vice, o Copacabana Club está dando o seu quinhão de artificialidade. Agora, se for apenas citação ou homenagem, Tropical Splash não chega nem a respingar em algo parecido com tropicalismo porque é frio, covarde, comercial e para comercial. Antes de ser o Copacabana Club, não custava nada visitar Copacabana.



FICHA TÉCNICA
Artista: Copacabana Club
Álbum: Tropical Splash
Origem: Brasil
Ano: 2011
Gênero: Disco/Indie-Rock
Escolhas do IN: "Just Do It"
Pra quem gosta de: CSS, Frenéticas, Lulu Santos




- Para ouvir, cadastre-se e entre no seção para membros do Fórum IndieNation.

VDD | The Flaming Lips Part. Lightning Bolt - I Wanna Get High But I Don't Want Brain Damage

Podcast #10


     
Podcast #10* | Download

1 | THE GROWLERS | GAY THOUGHTS | GAY THOUGHTS 7" [EVERLOVING, 2011]
2 | DUCKTAILS | KILLIN THE VIBE [PART. PANDA BEAR] | KILLIN THE VIBE EP [WOODSIST, 2011]
3 | ELEANOR FRIEDBERGER | ROOSEVELT ISLAND | LAST SUMMER [MERGE, 2011]
4 | RADIOHEAD | LITTLE BY LITTLE [CARIBOU REMIX] | THE KING OF LIMBS REMIXES [INDEPEDENTE, 2011]
5 | WASHED OUT | A DIRECTION | WITHIN AND WITHOUT [SUB POP, 2011]
6 | DARYL HALL | THE FARTHER AWAY I AM | SACRED SONGS [RCA, 1977]
7 | BROADCAST | ACCIDENTALS/WE'VE GOT TIME 7" | ACCIDENTALS [WURLITZER JUKEBOX, 1997]
8 | ARCHITECTURE IN HELSINKI | WHERE YOU'VE BEEN HIDING? | FINGERS CROSSED [TRIFEKTA, 2003]
9 | ANIMAL COLLECTIVE | WINTER'S LOVE | SUNG TONGS [FAT CAT, 2004]
10 | SWEET BULBS | KISSING CLOUDS | CYBERGAZE  [BLACKBURN, 2010]
11| TOP SURPRISE | HOME |  EVERYTHING MUST GO [PUG RECORDS, 2010]
12 | STEPHEN MALKMUS & THE JICKS | SENATOR | MIRROR TRAFFIC [MATADOR, 2011]


*em homenagem aos websites Giba e Claudinha e KKKKKKK

Resenha | The Caretaker - An Empty Bliss Beyond This World


The Caretaker - The Sublime Is Disappointingly Elusive

Por coincidência, todos os fantasmas do cinema o são desde o século XIX. Não existe quase ninguém que tenha virado alma penada em dias modernos, penar é muito 19th century. Então, a chance de você topar com um espírito hipster atormentado que curte Animal Collective é quase zero: fantasma, aquele de raiz mesmo, curte uma vibe mais pré-rock, sabe? Você acha que menininho do além relaxa com chillwave? Mas não mesmo! O menininho do além passa correndo pela casa e coloca para tocar é um vinilzinho gostoso, com os clássicos dos anos 20 (enquanto o dono da casa/protagonista do filme sai correndo, desesperado). Vinilzinho como os utilizados por James Leyland Kirby no seu mais novo e fascinante álbum, An Empty Bliss Beyond This World [History Always Favours The Winners, 2011], uma viagem sonora e filosófica que assusta mais que o meninho do além e suas peraltices.

Kirby pensa muito em conceitos. Talvez por isso tenha crítico que se revela claramente confundido com suas manifestações artísticas, insistindo que elas existem mais como idéia do que música propriamente, como se fosse possível desvencilhá-las. Quem vê a música com olhos puramente industriais, ou filtrados por um lente industrial, tende a pensar dessa maneira. Kirby, felizmente, não é desses: o que o inspira não é exatamente música mas o leva a fazer música. Exemplos: a inspiração para Caretaker surgiu ao assistir uma cena de Jack Nicholson em "O Iluminado" e o conceito do álbum mais recente é baseado num estudo que revelou a maior facilidade de acesso às memórias que os pacientes de Alzheimer possuem quando estas estão ligadas à música. Preenchimento sonoro num filme (cinema, arte, música), estudo médico (ciência, música) ou porcos (er, filosofia?, música): uma mente aberta gera arte também aberta.

Embora desperte curiosidade, não há porque perder tempo com detalhamentos do passo-a-passo prático de Kirby, em cada faixa, em cada trecho. É melhor deixar-se acreditar que os estalidos do vinil antigo podem ser um elemento percussivo proposital; que existem momentos compostos e tocados, outros só de reprodução per se; que a música se comporta do mesmo jeito que a memória daqueles pacientes com mal de Alzheimer, às vezes falha e cheia de lacunas (a partir de "I Feel As If I Might Be Vanishing"), às vezes vibrante e cheia de cores (a bela sequência de três faixas, no início, e o final, com "The Sublime Is Disappointingly Elusive").

Analisado puramente como música, o álbum se estabelece como uma alternativa ao ambient, buscando opções numa roupagem radicalmente (quando ler, por favor, grite a palavra radicalmente) retrô. Analisando como conceito, à maneira que alguns críticos preferem fazer, o álbum também é plenamente bem sucedido, funcionado como uma exploração minuciosa do envelhecimento, da memória, da condição humana. E, como obra aberta, An Empty Bliss... serve também à imagens particulares, pertencentes a cada ouvinte: se apoiando numa linha frágil entre o francamente assustador e docemente melancólico, pode evocar a imagem de um Duke Ellington, lamentando por Javanette, no fundo do mar. Ou a imagem daquele menininho do além, que corre pra lá e pra cá, nos filmes: embora assustador, ele é só um fantasma. Ele é só um menininho.



FICHA TÉCNICA
Artista: The Caretaker
Álbum: An Empty Bliss Beyond The World
Origem: Inglaterra
Ano: 2011
Gênero: Ambient/Experimental
Escolhas do IN: "All You Are Going To Want To Do Is Get Back There", "Libet's Delay" e "The Sublime Is Disappointingly Elusive"
Pra quem gosta de: Coletânea Victrola Favorites, Duke Ellignton, Grouper





- Para ouvir, cadastre-se e entre no seção para membros do Fórum IndieNation.

Resenha | Ras G - Down 2 Earth

- AI FINATTI - Sim, sim, o zapper blogger - AI FINATTI - está meio preguiçoso esta semana, por causa do frio, rsrs - AI FINATTI - . Semana que vem voltam os mega posts aqui no endereço próprio do blog, e também na Dynamite online, inclusive e talvez - AI FINATTI - com um relato hard do inesquecível namoro do sujeito aqui com a negraça Greta - AI FINATTI - , um bocetaço de tetas gigantes - AI FINATTI - (iguais, inclusive aos pertencentes a um outro enlouquecedor “romance” curtido pelo blogger cafajeste - AI FINATTI - , anos atrás, e cuja imagem já foi postada aqui, há algumas semanas, rsrs - AI FINATTI - ) que o autor destas linhas calhordas - AI FINATTI - traçou - AI FINATTI - durante um ano, isso lá por 1993. A garota era um tesão em seus dezoito anos, adorava Jim Morrison e os Doors e… adorava foder ouvindo a banda - AI FINATTI - , e dizia no ouvido do então ainda jovem jornalista, enquanto levava pica na xota - AI FINATTI - : “vai, me fode seu cachorro!” - AI FINATTI - . Mas isso contamos melhor no próximo post, em mais um “caloroso” diário sentimental, hihi - AI FINATTI -

Como o leitor percebeu, esse trecho extraído do melhor blog musical brasileiro de todos os tempos foi levemente modificado. Sempre AO ACASO, foram inseridos vários "AI FINATTI" no meio desse deslumbre literário para provar um ponto de vista. Lembrando que, é claro, todas as intervenções foram distribuídas aleatoriamente.

Bom, o ponto de vista a ser provado é que, mesmo um gênio da arte (da arte literária, no caso do jornalista usado como exemplo) pode ser prejudicado quando seu trabalho inicial é excessivamente modificado. Exatamente o que acontece nesse trecho se repete no novo trabalho de Ras G, artista que já registrou seus beats em selos como o Brainfeeder de Steven Ellison e que retorna esse ano com um aguardado LP pela Ramp: entre intervalos que não chegam a 30 segundos, as batidas enfumaçadas de Down 2 Earth [Ramp Recordings, 2001] são brindadas com a futuramente amaldiçoada saudação OH RAS. Por que futuramente? Durante as primeiras faixas, o sampler passa até despercebido. Mas aí ele se  repete, se repete, se repete, se repete...

E se repete... Não é prudente analisar o procedimento descolado da intenção, mas a repetição da inserção é de uma infelicidade mastodôntica. Sua admiração pelo dub explícita tanto na sua música quanto na sua persona artística explica o motivo mas não justifica a utilização. Nessa confusão, batidas do tamanho da Via Láctea se apequenam diante do insistente sampler. Fica difícil ver a devoção pelo soul (como Gil Scott Heron, devidamente homenageado) e pelo hip hop americano dos anos 90 (Dilla é, inegavelmente, a influência principal, mas toda a década é explicitamente homenageada na faixa... "I Love the 90's HipHop"). Fica difícil observar a fluência com que os beats passeam pelos gêneros, em elegância comparável à do próprio Ellison, no Flying Lotus. E é tudo por culpa do maldito OH RAS.

É um daqueles casos em que o excesso de reverência atrapalha. O sampler pode até parecer uma viagem monstruosamente egocêntrica do artista mas analisando a boa intenção que a "marca d'água" possa ter, imagina-se que a referência seja a seus ídolos jamaicanos, não a si mesmo. Um produtor resolveria, mas em disco de produtor, a situação ganha contornos dramáticos. Com Ras G carregando na reverência, Down 2 Earth se tornou, ao mesmo tempo, um bom disco e um grande aborrecimento. OH RAS!




FICHA TÉCNICA
Artista: Ras G
Álbum: Down 2 Earth
Origem: EUA
Ano: 2011
Gênero: Hip Hop Experimental/ Beats
Escolhas do IN: "Fat Cat", "I Love The 90's Hip Hop" e "40 Bus"
Pra quem gosta de: Samiyam, Gonjasufi, J Dilla






- Para ouvir, cadastre-se e entre no seção para membros do Fórum IndieNation.

top