IndieNation - Rio de Janeiro, Brasil - CONTATO

Good Thing


Preste atenção nesse diálogo:

- Inessa!
- Sim, Holly!
- Você confia em mim?
- Ah, é claro que eu confio em você!
- Prova! Me dá o seu coração!
- Hmmm... Ok, eu já te dou, deixa só eu pegar aqui na minha costela... Aqui! Pega!
- Ok, obrigada... agora eu vou pegar seu coração, vou colocar ele no chão, vou tirar minhas calças e vou soltar um grande gggghhhhmmmmmmm...
- Oh oh... O QUÊ? Eu não acredito nisso... Eu não acredito que você vai cagar em cima do meu coração desse jeito!
- Ah, talvez agora você preste mais atenção com quem você deixa seu coração...
- Ahhhh...
- Eu poderia ser qualquer um...
- Tá certo, você poderia ser um viciado...
- Ou um filósofo! A gente concordou que esse eram dois grupos de pessoas que deveriam ser evitados, lembra?
- Sim, sim! A gente nunca sabe... Obrigado pela lição!
- De nada...
- É... eu posso pegar meu coração de volta?
- Hmmm... Desculpe, eu realmente estou utilizando pra fazer uma coisa...
- Não, é que... eu provavelmente vou morrer logo, logo...
- Ok, você aprendeu a lição!
- Lição aprendida!

Essa é a 16ª faixa de "Oh No, It's Love" (Fuzzy Logic Recordings, 2008), um álbum-conceito sobre amor preenchido com essa quantidade de diversão. Os responsáveis pelo disco, um dos melhores do ano passado, são PhDs em música pop: trata-se da banda canadense Bicycles, tentando resumir, pela segunda vez, 50 anos em 40 minutos.
Ainda mais desencanados do que na ótima estréia ("The Good, The Bad and The Cuddly", 2006), o quarteto dessa vez ajustou o foco para os anos 60. Usando exemplos de músicos que buscam a mesma inspiração, dá para identificar a sofisticação de um Jens Lekman na belíssima Once Was Not Enough e o descaramento pop do Magic Numbers em I'll Wait For You. Embora a raiz do álbum esteja mesmo fincada nos anos 60, o Bicycles agarra o ouvinte de vez quando mexe com o power-pop da década seguinte: a dupla It's A Good Thing e No One Can Touch You Now nasceu para ser do Teenage Fanclub (ou do Big Star, para ficar nos 70). Mas é no upbeat de Walk Away (From a Good Thing), canção que utiliza referências de várias épocas, que a banda atinge seu poder máximo de contágio: a canção mais longa do álbum (só 3 minutos e 20 segundos) é um daqueles raros momentos de perfeição pop.
Demonstrando esperteza, a banda não ultrapassa sequer os 40 minutos de duração citados no ínicio da resenha (em 19 faixas!). Música como essa, no topo da escala da sem-vergonhice, não tem como durar 4, 5, 6 minutos... "Oh No, It's Love" é assim, rápido e urgente, sem abrir mão de um complexo armamento instrumental, utilizado de maneira primorosa. Por isso, nós agradecemos ao Bicycles de coração: obrigado por conseguir mais uma prova de que diversão e imbelicidade não são sinônimos.


The Bicycles - Oh No, It's Love - 89
Ano: 2008
Origem: Canadá
Gênero: Indie Pop
IN Picks: Walk Away (From a Good Thing), I'll Wait For You, Once Was Not Enough, It's A Good Thing
Pra quem gosta de: Architecture In Helsinki, Jens Lekman, Magic Numbers





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A Índia é a Nova China


Essa coisa de Índia já cansou, né? Eu sei que todo ano vão escolher um país emergente para nos supreender com seus costumes pitorescos (ano passado, por motivos óbvios, foi o ano da China)... mas já é fevereiro e ninguém aguenta mais esse colorido país asiático. Vamos torcer para que, no próximo ano, escolham um país mais discreto e menos barulhento. Infelizmente, tudo indica que em 2010 só vai dar África do Sul (se eu fosse você, já preparava as camisas do Nelson Mandela)... Por isso, desde já, declaro meu apoio ao Chile para o posto de "país engraçadinho de 2011". Depois de "Negócio da China", "Caminho das Índias" e, provavelmente, "Dotados da África do Sul" no próximo ano, o lançamento de uma minissérie com Matheus Nachtergaele sofrendo os abusos da ditadura de Pinochet seria um projeto bastante divertido pro futuro.

O momento Índia atingiu seu ápice ontem, quando o quase ruim "Quem Quer Ser Um Milionário?" ("Slumdog Milionaire", 2008) ganhou 8 das 10 indicações em que concorria no Oscar 2009. E justamente quando Danny Boyle, responsável pelos clássicos "Cova Rasa" e "Trainspotting", realizou seu filme mais covarde, comparado inclusive ao fracassado "A Praia". O filme tem um grande mérito: a escolha de um elenco infantil inspiradíssimo (que segura a narração cansativa durante boa parte do filme). O restante deixa com poucos argumentos qualquer um que tente explicar como "Slumdog" chegou tão longe: o roteiro é previsível em qualquer aspecto, as escolhas técnicas são irritantemente parecidas com as de "Cidade de Deus", a atuação do elenco adulto é sofrível (com exceção do ótimo Dav Patel, responsável pelas patetice do personagem principal, Jamal Malik)... Fica difícil achar uma razão não-comercial para o sucesso de um filme de pontos fracos tão gritantes.

É compreensível que o Primeiro Mundo se sinta menos culpado durante as duas horas em que se senta para assistir a miséria que eles mesmos ajudaram a construir. É como aquela gente se emociona com a tecnologia social (?) do AfroReggae, mas só pega a Linha Vermelha para ir ao Galeão (e de janela fechada, é claro). Aqui, nós já temos nosso quinhão de miséria e ninguém quer investir em Bollywood. Pode falar mal de "Slumdog Milionaire" à vontade....


Quem Quer Ser Um Milionário - Danny Boyle - 40

No Brasil: 6 de Março (Já em pré-estréia)

Gênero: Drama/Romance

Mahatma Ramone


Como todos vocês já perceberam, o IndieNation voltou mudado. Agora o blog não existe exclusivamente para resenhar discos: nós também resenharemos filmes, séries, novelas, revistas, jornais, brinquedos, comidas, móveis e lojas de departamentos (provavelmente outros assuntos também, mas esses são os principais). Dois novos autores estarão conosco também, vindos do economicamente vistoso estado de São Paulo: a primeira é a Ana Freitas, que já está aqui no blog desde 1987, mas nunca postou nada. Então, vamos incorporar a volta da ilustríssima autoríssima do divertidíssimo blog Olhômetro ao rol de novidades. Ela promete escrever sobre indie de camelô, preechendo uma lacuna que incomoda muitos leitores. Arctic Monkeys, Ting Tings, Lilly Allen e Jonas Brothers, por favor, peça pra ela. O segundo é o César Marins (autor do randomicante surpreendente blog Escolha Estranha), que trará o melhor do seu humor suicida e de seu excêntrico gosto musical para o IndieNation. A última novidade é que, agora, downloads somente nos comentários... Afinal, a gente não vive mais na sombra do Google.
E para coroar a nova fase de um blog que não fala mais só sobre música, resenharemos o disco novo do U2! E olha, foi um trabalho duro. Por isso, já aconselho: misture duas latas de Red Bull e uma de Coca Cola com uma xícara de café antes de ouvir o disco inteiro. Fazendo isso, existe 76% de possibilidade de sono profundo durante a audição. Mas isso não é responsabilidade completa do Bono e Cia. É muita banda emulando U2! Talvez pensando que copiar uma banda que vende trilhões de discos seja uma boa alternativa para enfrentar a crise econômica, músicos como Coldplay, Killers, Kings Of Leon e Snow Patrol gastam ainda mais um som que morreu em 1990. Aí vem o U2 e faz tudo de novo em "No Line On The Horizon" (Interscope, 2009), e pra piorar, esbanjando preguiça. Adicione uma limpeza irritante na produção e você já tem uma idéia do que está por vir.
O sono começa a bater já na primeira faixa, que leva o mesmo nome do álbum. Bono, que já cansou de ouvir marmanjo copiando o seu jeito de cantar, resolveu brincar de Eddie Vedder mas nem nos momentos menos inspirados o Pearl Jam foi tão insosso. Magnificent, em seguida, insinua que o terrível "Day And Age", do Killers, tocou bastante durante a gravação do álbum. Não é o pior momento, porque ele chega logo depois: se, hipoteticamente, um humorista fizesse uma canção usando todos os "clichês U2" com objetivos puramente droláticos, ela seria exatamente igual a Moment Of Surrender. Aí entra Unknow Caller e pela quarta vez em quatro músicas você ouve um "ÔoÔoÔo" embalado pela guitarra (marcante mas) viciada de Edge. E é impossível não pensar sobre a necessidade desse lançamento: Bono já está bastante rico, o mundo está em crise e as vendas provalvelmente serão menores, o custo ambiental de turnês e fabricação de cds é alto... Custava esperar algum tempinho pra lançar algo que faça sentido? Algum espertinho poderia dizer que se o U2 seguisse esse conselho nunca mais teria lançado nada desde "Achtung Baby"... Se "No Line On The Horizon" fosse lançado em 2015, o motivo "muito tempo sem lançar nada" já seria válido, ao menos.
É isso, não há mais nada a comentar sobre o álbum. Exceto pelo sofrível single Get On Your Boots, tudo é exatamente aquilo que você espera ouvir numa música do U2. Os mesmos "ÔoÔoÔo", as mesmas letras (politica/religião), o mesmo instrumental pretensamente épico que não emociona mais ninguém. Como cereja do bolo, Bono nomeia a última canção com um título que só poderia ser dado por ele: Cedars Of Lebanon. Num momento de extrema lucidez, certa vez Bono comentou que até ele já estava cansando do... Bono! Então pra que nos obrigar a ouvir isso tudo de novo? Certas pessoas não tem feeling...


U2 - No Line On The Horizon - 33
Ano: 2008
Origem: Irlanda
Gênero: Rock
IN Picks: I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight
Pra quem gosta de: UNICEF, AACD, LBV e outras siglas beneficentes





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THE BEST THE BEST THE BEST



Síndrome de Ivan Lins

Qual o problema dos guitarristas atuais? Porque eles sempre tem que tratar as guitarras como seus superiores? Quando eu era criança, toda vez que o Ivan Lins aparecia na tv minha mãe comentava "ele compra os melhores pianos pra continuar tocando mal pra burro". Ivan Lins Syndrome.

É o que mais se vê hoje em dia, só que na versão descolada da coisa. Primeiro desenvolve a pose, dá um trato no look, compra aquela guitarra novinha, marota, e sem ensaiar já vai pro palco. O que interessa é ter pose em primeiro lugar, saber tocar fica pra segundo plano.

Ai alguém arrebenta a corda da guitarra, risca, FODE totalmente com a guitarra do cara, ai ele desce do salto. "MINHA GUITARRA!" A guitarra de R$ 2.000 foi riscada, o mundo acabou. Ele é dependente da presença chamativa da guitarra pra hipnotizar o público enquanto ele trabalha a pose.

Mas também temos a velha síndrome do Ivan Lins adicionada a síndrome do tiozão do bar classic rock, "Ok, agora que comprei o pedal que a Guitar Player do mês passado recomendou, e encomendei minha palheta de fibra de coquinho sintético da Jamaica, pra tocar com exatidão eterna pelo resto dos dias, nunca mais passarei vergonha" A guitarra vira uma eterna bola quadrada que nunca chega.

Quem é bom, é bom. Não depende de instrumentos/acessórios pra ser bom. O mundo precisa de mais guitarristas e menos guitarras.


2007 ham? Temos futuro. Ps: Eu sou o CésarSp FMZ GALERA VLW

Mixtape IndieNation #8


1. Vivian Girls - No (1:19)
2. Little Joy - Keep Me In Mind (2:24)
3. Land Of Talk - Death By Fire (4:09)
4. Blood On The Wall - Rize (2:51)
5. Sigur Rós - Gobbledigook (3:07)
6. Goldfrapp - Happiness (4:18)
7. Annuals - Down The Mountain (2:58)
8. The Helio Sequence - Hallelujah (4:29)
9. Death Cab For Cutie - No Sunlight (2:40)
10. The Wedding Present - Palisades (3:51)
11. Albert Hammond, Jr. - GfC (3:09)
12. Titus Andronicus - Upon Viewing Brueghel's 'Landscape With The Fall Of Icarus' (4:18)
13. Evangelista - Hello, Voyager! (12:12)
14. R.E.M. - Horse To Water (2:18)
15. Los Campesinos! - Death To Los Campesinos! (2:49)
16. Foals - Cassius (3:49)
17. Tall Firs - Hairdo (3:31)
18. Evangelicals - Skeleton Man (4:24)
19. Beck - Chemtrails (4:40)
20. Dungen - Sätt Att Se (4:45)
21. Beach House - Turtle Island (3:59)
22. Deerhunter - Nothing Ever Happened (5:50)
23. Pomegranates - Whom/Who (2:54)
24. Brazilian Girls - Good Time (3:47)
25. M83 - Kim & Jessie (5:23)
26. TV On The Radio - Crying (4:10)
27. Human Highway - The Sound (2:44)
28. Girls In Hawaii - Bored (4:52)
29. Frightened Rabbit - The Modern Leper (3:50)
30. David Karsten Daniels - Falling Down (3:51)
31. No Age - Sleeper Hold (2:26)
32. The Manhattan Love Suicides - Kick It Back (3:07)
33. Women - Shaking Hands (4:43)
34. Thank You - Embryo Imbroglio (4:51)
35. Mudhoney - The Lucky Ones (4:52)
36. The Jealous Girlfirends - Secret Identity (3:51)
37. Moscow Olympics - Second Trace (3:42)
38. Pia Fraus - Springsister (3:48)
39. Pas/Cal - Summer Is Almost Here (3:40)
40. Destroyer - Blue Flower/Blue Flame (3:23)
41. Plants And Animals - Good Friend (6:05)
42. She And Him - Why Do You Let Me Stay Here? (2:30)
43. The Decemberists - Valerie Plame (4:58)
44. The Dø - Stay (Just A Little Bit More) (3:06)
45. Eef Barzelay - Lose Big (3:19)
46. Dungen - Det Tar Tid (4:16)
47. DeVotchKa - The Clockwise Witness (4:35)
48. Dr. Dog - Army of Ancients (4:05)
49. Samamidon - Saro (3:22)
50. Scott Matthew - In The End (3:14)
51. Shearwater - The Snow Leopard (5:08)
52. Spiritualized - Borrowed Your Gun (3:47)
53. Mogwai - The Sun Smells Too Loud (6:58)
54. Sigur Rós - Við Spilum Endalaust (3:33)
55. Ra Ra Riot - Too Too Too Fast (3:46)
56. Jason Anderson - The Hopeful and the Unafraid (3:41)
57. Stephen Malkmus - Gardenia (2:53)
58. The Envy Corps - Story Problem (4:36)
59. Marcelo Camelo - Copacabana (2:34)
60. Wolf Parade - Kissing The Beehive (10:46)

PT1 / PT2 / PT3 / PT4

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