IndieNation - Rio de Janeiro, Brasil - CONTATO

See Ya Later, Innovator


Pode ser instinto defensivo, pode ser marketing pessoal, mas o esforço que o Arctic Monkeys faz no sentido da auto depreciação é notável. Logo na estréia em disco, avisavam no título que não eram nada daquilo que estavam dizendo por aí. O terceiro disco, "Humbug" (Domino, 2009), segue na mesma linha, utilizando essa expressão não muito usual que encontra tradução na ofensiva palavra fraude. Ainda não existe nenhum explicação oficial mas o título pode ter também uma carga ambiciosa, revelando uma banda bastante confiante no seu crescimento. Nesse caso, a intenção seria dar uma resposta irônica aos críticos, um lado Gallagher desconhecido da jovem banda britânica. Tanto a teoria do excesso quanto a da falta de confiança caem durante a audição do novo trabalho. Como sempre, não há nada tão bom ou tão ruim que justifique o exagerado título.

Saltam aos ouvidos de início, a maturidade vocal de Alex Turner e a habilidade de Matt Helders em conduzir as repetitivas estrutras melódicas. My Propeller, começa o álbum elevando a influência do produtor Josh Homme a níveis paródicos. Em seguida, o poderoso single Crying Lightning ainda carrega traços stoners do Queens Of The Stone Age. E isso é quase tudo o que "Humbug" tem a oferecer. Duvida? Ouça a música seguinte: se você teve algum contato com os dos dois discos anteriores dos Monkeys você provavelmente já ouviu Dangerous Animals (a semelhança com Fake Tales Of San Francisco, por exemplo, é gritante). Na continuação, os riffs circulares vão se amontoando sobre as melodias vocais já gastas de Turner e só as mãos rápidas do baterista são capazes de chamar a atenção novamente. Em Dance Little Liar, Helders rouba a cena e não larga os holofotes até Pretty Visitors, brilhando novamente. Apesar do barulho inicial sobre o álbum indicar uma influência maior, reside somente nesse faixa todo o clima Black Sabbath sugerido pelas entrevistas.

Como banda nascida e alimentada pela internet, o Arctic Monkeys aproveita e sofre com a imensa popularidade que a rede lhe proporcionou. No lugar deles, eu somente aproveitaria. Mais do que se preocupar com status, esses jovens músicos deveriam se ocupar ouvindo mais música. Só assim para oxigenar um trabalho precocemente viciado.


Arctic Monkeys - Humbug - 59
Ano: 2009
Origem: Inglaterra
Gênero: Indie-Rock
IN Picks: Crying Lightning, Pretty Visitors, Dance Little Liar
Pra quem gosta de: The Libertines, The Clash, The Cribs






- Cheque os comentários e deixe o seu!

Heartbeats #1 - Podcast


NÃOFODCAST #1: SHOEGAZE/INDIETRONICA










Acesse a página do Heartbeats no Mevio:
http://indienationbr.mevio.com/

Ou baixe o programa aqui

RADIO DEPT. - DAVID
SCHOOL OF SEVEN BELLS - HALF ASLEEP
THE DEPRECIATION GUILD - DREAM ABOUT ME
MAYER HAWTHORNE - JUST AIN'T GONNA WORK OUT
DO THE ROBOT - PLAY
THE PAINS OF BEING PURE AT HEART - YOUNG ADULT FRICTION
MOSCOW OLYMPICS - SECOND TRACE
GRASS WIDOW - TO WHERE
POMEGRANATES - TESSERACT
FAUNTS - I THINK I'LL START A FIRE
YO LA TENGO - NOTHING TO HIDE
BRAZILIAN GIRLS - GOOD TIME


Ilustração de Ian Dingman

Acerta Esse Tom


Viver na sombra de um grande nome parece ser um dos piores pesadelos para um músico. Quase todos que nascem com a pecha de novo-qualquer-coisa passam a carreira tentando se desviar do parentesco forçado. Foi o que aconteceu com o Buffalo Tom, banda que completa 20 anos de existência nesse ano e que surgiu carregando o rótulo de Dinosaur Jr. Junior. Os álbuns mais aclamados desse trio de Boston, "Let Me Come Over" e "Big Red Letter Day" (lançados em 1991 e 1993, respectivamente), abusam de estruturas densas e produção esmeirada, numa tentativa (bem sucedida) de se livrar da alcunha. Dois anos após o lançamento de "BRLD", o rótulo já não incomodava tanto e resultado foi divertido "Sleepy Eyed" (East West, 1995), o álbum mais desencanado na discografia dos americanos.

Houve quem enxergasse um declínio criativo. O olhar crítico é ajudado pela orientação mais direta do que a observada nos pomposos trabalhos anteriores. Mas é nesse álbum onde se encontram os maiores acertos melódicos do Buffalo Tom. O ínicio é devastador, com quatro composições de grande potencial radiofônico. Tangerine, uma paulada, abre os trabalhos com um gancho power-pop certeiro no ouvinte. Mais cândida e igualmente fascinante, Summer chega logo em seguida na tradição do melhor do pop rock nos anos 90. A próxima faixa não deixa o nível baixar mas deixa claro porque a comparação é inevitável: de fato, o Buffalo Tom deve muito a J. Mascis e Kitchen Door é prova irrefutável da influência. Nada que um refrão devastador não apague e a incrível Rules está ali, logo depois, para cumprir o papel.

Outras composições seguem o ritmo do power-pop frenético do início, com destaque para a pegajosa Sundress e Souvenir. Há também baladas mais densas, refazendo o clima dos dois discos anteriores como Sunday Night e Twenty-Points (The Ballad of Sexual Dependency), a segunda não tão divertida quanto o nome sugere. Balanceando seus dois lados, sem grandes preocupações, o Buffalo Tom fez de "Sleepy Eyed" seu disco mais verdadeiro. Se eles são os primogênitos do Dinosaur Jr., porque lutar contra? Não é todo mundo que tem um pai conservadão como esse.

Buffalo Tom - Sleepy Eyed - 80
Ano: 1995
Origem: EUA
Gênero: Indie-Rock/Power-Pop
IN Picks: Rules, Summer, Tangerine
Pra quem gosta de: Bob Mould, Lemonheads, Dinosaur Jr.








- Cheque os comentários e deixe o seu!

Branco no Preto


Embora mais focado no soul, Mayer Hawthorne (pseudônimo do outrora DJ Andrew Cohen) pertence ao mesmo universo de pesquisadores apaixonados como Jens Lekman, Dent May ou o coletivo canadense Bicycles. Hawthorne é mais um desses obcecados pela música pop dos anos 60 e 70 e fez de seu disco de estréia, "A Strange Arrangement" (Stones Throw, 2009) um tributo a música que explodia na sua cidade natal, Detroit, durante essas duas décadas.

Hawthorne já cultiva um bom número de seguidores desde que o maravilhoso single Just Ain't Gonna Work Out surgiu num sete polegadas desfilando uma elegância ironicamente incompatível com seu tipo físico. A voz que inicia esse petardo no melhor estilo Bobby Womack era mesmo daquele rapaz bem parecido Tobey Maguire na capa do álbum? Improvável, mas era. Ainda na cola de Womack, o álbum traz mais duas baladas desconcertantes: I Wish It Would Rain e a afrodisíaca Shiny And New.

Em alguns momentos, a pesquisa musical de Hawthorne se assemelha ao trabalho de grandes nomes do hip-hop como D'Angelo e Slum Village. O primeiro single, já citado, e o groove tenso de Make Her Mine são exemplos. Mas o objetivo aqui não é fazer crossover com música moderna: "A Strange Arrangement" soa mesmo como um disco gravado em 1966. Funks nervosos como The Ills e Let Me Know podem facilmente se confundir com as composições do mestre Curtis Mayfield. E como não bastava só evocar, entre 11 composições originais, Mayer Hawthorne encaixou uma versão fiel de um clássico da Motown, Maybe So, Maybe No (gravação original do New Holidays, em 1969). A necessidade de uma cover tão parecida com a original é até discutível, mas a ligação perfeita com as composições próprias torna qualquer discussão inútil. E se todos os elogios ainda não fizeram o leitor devorar esse que é um dos melhores lançamentos de 2009, tente resistir ao som do upbeat de Your Easy Lovin' Ain't Pleasin'... Impossível!

Para evitar a fadiga mental desse aspirante a crítico musical, Mayer Hawthorne deu uma força e usou uma frase definitiva para tentar explicar o seu irresistível "A Strange Arrangement": "It's old soul... but it's new!". Acertou em cheio.



Mayer Hawthorne - A Strange Arrangement - 88
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Neo-Soul/Hip-Hop
IN Picks: Just Ain't Gonna Work Out, Your Easy Lovin' Ain't Pleasin', Shiny And New
Pra quem gosta de: Dent May, Bobby Womack, D'Angelo








- Cheque os comentários e deixe o seu!

Tédio Ambiente


O amor é cego. Jón Þór Birgisson trabalha há mais de uma década para provar que a música ambiente tem seu propósito comandando uma das bandas mais importantes da música atual, o Sigur Rós. Junto com o namorado Alex Somers, formou o Riceboy Sleeps, responsável pela estonteante parte gráfica do projeto principal. Agora, oficialmente como Jónsi & Alex, os dois jogam fora todos os elementos que levaram o Sigur Rós a subverter o gênero com o tedioso "Riceboy Sleeps" (Parlophone/EMI, 2009), óbvio pano de fundo para noites frias de sexo tântrico desse apaixonado casal islandês.

O único grande momento, Indian Summer, prova que a decisão de reduzir a paleta sonora não deu muito certo: quando o canto baixinho surge como uma onda suave, bate no ouvinte a esperança de que o projeto não sirva somente como trilha sonora de spa. Outro destaque é Boy 1904 e o inusitado sampler da única gravação conhecida de um cantor castrato. Embora seja um composição de pretensões épicas, nada impressiona mais do que a imagem do sofrimento desse rapaz (leia mais sobre o assunto na Wikipedia). É importante ressaltar que "Riceboy Sleeps" é também um livro. Sem nenhuma palavra. A intenção é que, junto ao apelo visual de 52 páginas de arte gráfica apurada, a experiência individual forme um conceito único para cada audição. E assim, baseando-se mais na experiência do ouvinte do que nos seus próprios méritos, infelizmente, o álbum não consegue provocar nenhum outro momento de emoção genuína.

Após um pouco mais de uma hora de muito tédio, se confirmam as suspeitas iniciais: "Riceboy Sleeps" é arte visual e a música funciona somente como acessório. E se o livro não tem uma letra sequer, nada mais apropriado do que a companhia de uma música ambiente fria e amorfa.

Jónsi & Alex - Riceboy Sleeps - 47
Ano: 2009
Origem: Islândia
Gênero: Ambient/Drone/Post-Rock
IN Picks: Indian Summer, Atlas Sound, Daníell in The Sea
Pra quem gosta de: Amiina, Brian Eno, Helios








- Cheque os comentários e deixe o seu!

top