O IndieNation está de volta depois de muito tempo com um projeto que também já deveria estar de volta há muito tempo. Lembro até de ter contactado os caras do Radiotape para conversar um pouco por email... acabei não levando a entrevista a frente, mesmo contando com a simpatia e a atenção dos mineiros. Vou tentar retomar todos os projetos do blog aos poucos...
Esse volume é mais focado na produção atual (discos de 2008 e 2009). As faixas mais antigas são as ausências mais sentidas (segundo a caixa de comentários) do primeiro volume, que era bem genérico. Charme Chulo e Ronei Jorge são os "veteranos", junto com Mombojó (música do disco novo), Pullovers, Binário e +2 (faixa da trilha sonora do espetáculo "Imã").
Hits da cena independente nacional, como Just Do It (Copacabana Club), Primeiro de Agosto (Transmissor) e Brand New T-shirt (o quase-cover do Blur cometido pelo incensado Holger) também estão na tracklist. As apostas do IndieNation são Hotel Santa Clara e Quase Coadjuvante (boa dica de um leitor fiel do nosso blog). Tem espaço ainda para a eletrônica cabeçuda do Guizado, a eletrônica bem menos cerebral da dupla Julia Says e para melancolia curitibana do Hotel Avenida. Pra fechar, o incrível Marcelo Frota e sua não menos incrível Preciso Ser Pedra.
Agora é com você: ouça, repasse, compre os discos, vá aos shows!
TRACKSLIST
Transmissor (Belo Horizonte, MG) | Primeiro de Agosto | Sociedade do Crivo Mútuo (2008)
Copacabana Club (Curitiba, PR) | Just Do It | King Of The Night (2009)
Pullovers (São Paulo, SP) | Tudo Que Eu Sempre Sonhei | Tudo Que Eu Sempre Sonhei (2009)
Hotel Santa Clara (Porto Alegre, RS) | A Whisper Lost In Tokyo | Children At Play (2009)
Acho que esse blog precisa de dinâmica. Sozinho, eu não consigo movimentá-lo tanto quanto eu gostaria. Por isso, quem tiver interesse em publicar notícias (relacionadas, é claro) e, eventualmente, escrever resenhas também, é só mandar um email para esse endereço que está aí do lado. Aqui não tem anúncio nem remuneração, é só pelo prazer de compartilhar informação musical (pode servir só como um portifoliozinho discreto para quem pretende ser jornalista).
Então, é isso: quem se interessar em manter um blog renomado com atualizações diárias é só mandar email. Basta ter o gosto musical alinhado com a proposta do blog (ou não, desde que seja bom) e que saiba escrever (por favor).
Reprodução integral do texto publicado por Arnaldo Branco na coluna "Mal Necessário" da Revista Zé Pereira
Parabéns leitor atento, que percebeu a pegadinha no título. Agora, se você está lendo essa coluna para saber qual o uso correto da tal liberdade (lembrei daquele pagode), talvez faça parte do grupo de pessoas sobre o qual estou falando. Acompanhe.
Então: por que a mania nacional de dizer que crítica é fruto da inveja? Já me acusaram de botar olho gordo em tanta gente de profissões distintas que devem me tomar por um sujeito metido a Homem da Renascença. Tomo até como elogio.
Temos uma tradição chata de esconder o que pensamos de verdade. Não digo que a crítica é uma coisa boa per se, como o elogio (brinks), principalmente quando descontrolada nível comentarista anônimo de blog, mas nossos desgostos são reflexo da nossa visão de mundo. Se você tiver uma para compartilhar, é bacana que trace algumas fronteiras em público.
Mas quando alguém faz isso, atrai a ira de vários psicólogos de araque. Lembro de uma vez, quando disse na faculdade que não me interessava em saber que emissora tinha comprado o passe da Lilian Witte Fibe (era o assunto), uma garota que eu não conhecia mandou o clássico “a inveja é uma merda”. Como ela poderia saber que prefiro uma extração de dente a seco do que ter o emprego da mina? E quem era mesmo Lilian Witte Fibe?
O pior são as pessoas que dizem que criticar alguém publicamente é uma forma de pegar carona no sucesso alheio. E eu pensava que o passaporte para uma carreira tranquila era o puxa-saquismo…
Até acredito que haja pessoas com tolerância sobre-humana e que curtam tudo, mas conheço mais do tipo que fala mal pelas costas. Não entendo porque pedem tanto liberdade de expressão, se é para continuar fingindo que gostam do trabalho de todo mundo.
"Yield", álbum lançado em 1998, é o ponto em que o Pearl Jam se tornou irremediavelmente antiquado. Não é a opinião do IndieNation, você pode ouvir o próprio Eddie Vedder dizer "Eu não estou tentando fazer a diferença/ Eu vou parar de tentar fazer a diferença" na terceira faixa do disco, No Way. Provavelmente a letra não fala sobre o processo criativo do quinteto, mas o trecho é demasiadamente simbólico para ser ignorado. Se "fazer a diferença" não era mais o objetivo, a saída para o Pearl Jam era ser, pelo menos, uma banda divertida. "Binaural", o disco seguinte, vai na direção oposta, embora tenha seus momentos memoráveis (Soon Forget é uma bela canção esquecida, como você pode ouvir nesse inacreditável vídeo). "Riot Act" e "Pearl Jam" abusavam de referências políticas e já soavam datados antes mesmo de saírem das lojas. Grandes canções como I Am Mine, All Or None e Parachutes se perderam no meio do falatório didático e o Pearl Jam reduziu drasticamente seu tamanho entre os gigantes do mainstream ("Riot Act" sofreu para alcançar meio milhão de discos vendidos, numa época em que ainda se vendiam discos). Em "Backspacer" [Lançamento próprio/Universal, 2009], esses senhores convencionais ainda não parecem dispostos a fazer diferença, mas finalmente parecem fazer música por prazer.
As quatro faixas iniciais são rápidas e pegajosas, mas não necessariamente agressivas, como acontece no início de todos os outros discos da banda. Gonna See My Friend ataca o ouvinte com um riff dançante que lembra um Stooges mais light, ao invés de punks esquemáticos, como de costume. Na ponte que leva a segunda parte da primeira faixa ("...Want to be there.../ Hard as a statue/ Black as a tattoo/ Never to wash away"), Vedder começa a dar sinais que o álbum é todo seu. Got Some seria mais uma música do Arctic Monkeys se não fosse, novamente, a atuação segura do vocalista.
Deve existir alguém que duvide que o Pearl Jam é Eddie Vedder, mas até esse terá que se render a constatação durante a irresistivelmente pop The Fixer. Reza a lenda que o baterista Matt Cameron levou uma longa composição para ser completada com letra pelo vocalista. Vedder voltou com uma composição curta com versos que dizem "When something’s broke/ I wanna put a bit of fixin’ on it/ When something’s bored/ I wanna put a little exciting on it". Em qualquer outra banda, a falta de modéstia do líder poderia resultar em separação. No Pearl Jam, The Fixer virou single, pop como as boas composições do Foo Fighters (são poucas, mas existem). Johnny Guitar fecha o início festivo e Vedder finalmente ganha a companhia da banda. A melodia cheia de altos e baixos e a letra esperta que divaga sobre uma capa de disco fazem desse rock a la Springsteen um dos destaques do álbum.
Just Breathe é o ponto de reflexão. Reconhecendo que tem muito pouco do que reclamar, Vedder usa o violão de Tuolomne (faixa instrumental do seu primeiro disco solo, a trilha sonora do filme "Into The Wild/Na Natureza Selvagem") para acompanhar sua declaração de amor aos amigos e à família. É uma pena que um álbum que vinha descendo redondo, a partir dessa canção, decepcione o ouvinte numa sequência bastante irregular. Amongst The Waves, apesar do refrão fácil, mostra que uma banda que não quer fazer a diferença pode atingir facilmente seu objetivo, mesmo tendo comprovada capacidade para fugir do óbvio. Unthought Know segue a mesma linha antiquada, tão insossa quanto uma canção do Coldplay (existe até uma certa semelhança com The Hardest Part).
Supersonic rompe a calmaria com um riff ramônico tocado com rapidez incompatível com as faixas anteriores (e as seguintes também). É estúpida, mas diverte como raramente o Pearl Jam divertiu depois de "Vitalogy". Das baladas que povoam a segunda parte do álbum, Speed Of Sound, é a mais interessante delas. Para uma banda que parecia avessa à alguma coisa que não fosse a combinação bateria + baixo + guitarra, o arranjo elegante proposto pelo produtor Brendan O'Brien soa promissor. Em seguida, o álbum apresenta seu ponto mais fraco: a preguiçosa Force Of Nature, um pop-rock certinho de introdução vergonhosa e riff reciclado.
Para contrabalancear, a poderosa The End fecha o álbum impressionando. Arranjo de cordas num disco do Pearl Jam, vejam só! Mas não é só isso, felizmente. O impacto da canção é provocado, principalmente, pela magnífica performance de Eddie Vedder. É raro ouvir algo tão pessoal, frágil e emocionado. Então, mesmo que o leitor nunca tenha dado a mínima para o Pearl Jam, faça um esforço, baixe "Backspacer" (ou compre, se você ainda vive em 2001 e acha que download é pirataria) e vá até o final para ouvir uma das grandes composições de 2009. Enquanto Vedder termina o álbum com os versos "The end comes near/ I'm here/ But not much longer...", um suspiro surge por trás da voz fragilizada do vocalista. É um efeito de estúdio, mas o suspiro poderia ser seu. Demorou, mas o Pearl Jam finalmente consegue impressionar outra vez.
Pearl Jam - Backspacer - 70 Ano: 2009 Origem: EUA Gênero: Rock/Grunge IN Picks:The End, Johnny Guitar, Just Breathe Pra quem gosta de: R.E.M., Foo Fighters, Dinosaur Jr.
Em tempos distantes, a arte que envolvia o disco físico ajudava o ouvinte a entender melhor o conceito da música gravada ali. Hoje, quase tudo chega às nossas mãos virtualmente e nós acabamos montando um conceito individual que pode conter qualquer imagem. Por exemplo: para fornecer o acesso ao link que continha o novo álbum do Muse, "The Resistance" [Warner, 2009], o servidor utilizou uma verficação de palavras. Ironicamente, a palavra pedida era untrue. Na falta de imagens fornecidas pelos próprios músicos, essas seis letras parecem perfeitas para explicar o conteúdo do arquivo.
Se a constrangedora Uprising, um crossover anêmico de Atlas (Battles) e Womanizer (Britney Spears), é a primeira faixa e primeiro single do álbum, constata-se que o Muse nem se preocupa em fornecer prova contrária. Resistance, em seguida, ruma para o lado do metal sinfônico e lembra que tudo pode ficar ainda pior. É o que acontece em Undisclosed Desires, algo que o Usher já fez com muito mais dignidade.
Nesses casos em que bandas como o Muse, donas de uma imensa base de fãs, chegam perto do que há de mais desprezível na música, vai ter sempre alguém para dizer que essa é a década da diversão. A junção de gêneros é obrigatória mas não, necessariamente, criteriosa. Ou seja, não importa se é descartável, desde que funcione numa festinha qualquer. Se você não gosta, você é um grande chato que não entende piadas e não consegue se divertir. Estamos terminando a década vendo pilantragens como Britney Spears, Kelly Clarkson e Muse dividindo glórias com Radiohead e Wilco. Será que a crítica na década passada foi injusta com os Backstreet Boys? Afinal, eles também tinham seus hits infalíveis para pista (Everybody, uma espécie de Thriller moderna, ou Larger Than Life). Para o azar da boy band, a década de 90 não foi a década da diversão...
Voltemos ao mais recente álbum do Muse que, infelizmente, não possui só três faixas. Pela frente ainda restam mais oito, tão ruins quanto as três primeiras. Matthew Bellamy, líder da banda, diz que "The Resistence" tem ênfase inicial no R&B contemporâneo e que dali em diante se torna épico e estranho. Para ser realmente sincero, o vocalista só precisaria tirar o "épico e" da sua frase. United States Of Eurasia é tão antiquada que faz "Day And Age" (do Killers) parecer um experimento moderno. Unnatural Selection (que trocadilho esperto!) rouba o riff de New Born para agradar fãs antigos mas termina mesmo como um inacreditável rip-off do Iron Maiden. Isso não é ecletismo, é esquizofrenia. É, provavelmente, o maior caso de confusão sobre o sentido da palavra desde Luiz Caldas (aquele mesmo, autor de clássicos como Nega do Cabelo Duro, letra que Danilo Gentili daria um braço para escrever. Entre no MySpace e ouça Maldição... é até parecido com Muse).
Bellamy completou sua sentença afirmando que depois de ficar "épico e estranho, o álbum então se encaixaria no gênero música clássica contemporânea". Desconfio que a idéia que o rapaz tenha de música clássica contemporânea passe por Angra ou pelo Helloween. Porque são essas as bandas que fazem (ou faziam) música parecida com Exogenesis, um enorme pé no saco dividido em três partes. O álbum se encerra com essa deprimente tríade de metal melódico e nem por um segundo o ouvinte é agraciado com alguma sinceridade vinda do trio inglês. E se o nosso senso crítico anda tão atordoado a ponto de bestas-feras dessa estirpe se criarem, é melhor deixar que as máquinas resolvem o problema:
- Repita para mim, HD virtual, o que você acha do novo disco do Muse?
- FALSO.
- Obrigado.
Muse - The Resistance - 00 Ano: 2009 Origem: Inglaterra Gênero: Rock, Metal Melódico, R&B IN Picks: Pra quem gosta de: Queen, Luiz Caldas, Angra
EXPERIMENTAL | DANCE PUNK | HIP HOP | INDIE POP | SOUL | ELECTRONICA | CHILLWAVE | SOFT ROCK | FOLK | AVANTGARDE
TRACKLIST
Island, IS | Volcano Choir Islands | The XX Searching | Speech Debelle Telephone Wires | Watercolor Paintings Vittoria | Charles Spearin Your Easy Love Ain't Pleasin' | Mayer Hawthorne Little Girl | Danger Mouse & Sparklehorse (feat. Julian Casablancas) Sing Sang Sung | Air Feel It All Around | Washed Out Born A Man | Clem Snide Mightiest Of Guns | A.A. Bondy King Rat | Modest Mouse Walking Alone At Night | Vivian Girls Death + | HEALTH MMW II (Part 2) | Zs
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