
A sina de "Maggot Brain" [Westbound, 1971] é sempre surpreender o ouvinte, não importa a época em que seja executado. O nome e a origem da banda (o Funkadelic foi banda de apoio do Parliaments, de George Clinton) deixam impressão que o campo de ação é limitado. E levado por um preconceito brando, o ouvinte pode imaginar que uma banda formada inteiramente por músicos negros passe longe de gêneros tradicionalmente "brancos". Motivos variados para ouvidos igualmente surpresos com o disco mais impressionante de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.
Rock, isso mesmo. Ou você conhece algum disco de soul, funk ou R&B que comece com um solo de guitarra demolidor de quase 10 minutos? A ironia é que esse solo, como registrado em disco, foi uma saída improvisada de George Clinton para lidar com estado lamentável dos músicos, profundamente afetados por abusos químicos. Clinton preferiu contar só com Eddie Hazel e pediu para que ele tocasse como "se sua mãe tivesse acabado de morrer". Outra versão da lenda conta que Clinton simplesmente avisou que a mãe do guitarrista estava morta. Em qualquer versão, a estratégia de mentor intelectual do funk psicodélico funcionou: a monumental Maggot Brain é uma faixa tão arrebatadora que chega a colocar sombra sobre as outras composições. Exemplificando com outra realização mastodôntica do rock na mesma década, o efeito é mesmo que Stairway To Heaven provoca no quarto álbum do Led Zeppelin. Assim como em "IV", a sombra só serve para tornar a experiência da descoberta ainda mais interessante.
Enquanto a turbulenta viagem na faixa título representa o fim de existência com a tristeza do blues, as faixas seguintes, mais envenenadas, mostram que coerência não é virtude do Funkadelic. Os versos iniciais do funk gospel Can You Get That ("I once had a life, or rather life had me") mantém o clima perigoso, mas a estrutura acertadamente convecional joga a favor do otimismo. E se o funk parecia ter perdido espaço pela ação devastadora de Maggot Brain, Hit It And Quit It aparece para aumentar ainda mais a batida, representando a apoteose do gênero. O grande trunfo é mais um solo destruidor de Eddie Hazel. You and Your Folks, Me and My Folks tem estrutura parecida (vocal gospel por cima de um groove poderoso) mas o assunto é agora é amor interracial ("If you and your thing dig me and my thing/ Like me and my thing dig you and your thing/ And we all got a thing/ Yeah, and it's a very good thing").
A absurda Super Stupid é capaz de juntar dois ídolos da música negra em apenas uma canção. Ao falar sobre um viciado que acaba comprando a droga errada, a superbanda mistura Jimi Hendrix e James Brown na faixa mais violenta do álbum. No dub de Back In Our Minds, o ouvinte relaxa com George Clinton nos vocais e discurso pacifista. Um disfarçado prenúncio de guerra: a bordo de efeitos perturbadores, percussão insana e uma cozinha explosiva, o Funkadelic pede o povo no poder (e algumas outras coisas) em mais um clássico estarrecedor, Wars Of Armageddon.
Após "Maggot Brain", o Funkadelic nunca mais foi o mesmo, literalmente. Para o disco seguinte, apenas Eddie Hazel e Tiki Fulwood se mantiveram na formação. Mas isso era algo que George Clinton provavelmente já imaginava. Dificilmente, algum artista passaria por um álbum como esse impunemente. A imagem da mulher enterrada, talvez gritando, talvez gargalhando, na capa do disco, não poderia ser mais simbólica. "Maggot Brain" é a imagem do desespero e da felicidade dos anos 70.
Ano: 1971
Gênero: Classic Rock/Funk/Soul
IN Picks: Maggot Brain, Wars Of Armaggedon, Super Stupid
Pra quem gosta de: Sly And The Family Stone, Led Zeppelin, Primal Scream
Os 20 Grandes Álbuns dos Anos 70 - #18
enviado por César M. em 31.10.09Meme-Pop
enviado por César M. em 27.10.09
Antes de ler, assista:
- Vídeo 1: um herói dos anos 90 passeando pelo hip-hop mainstream sem perder a decência, no início da década.
- Vídeo 2: uma banda que faz música rotulada como power-pop, fazendo música pop, sem perder a decência.
- Vídeo 3: uma banda indecente, fazendo piada indecente, mas atingindo seu objetivo.
O Weezer anda numa fase muito estranha, você já deve saber. Tanto que precisa de estratégias de defesa. As que dizem "vai lá e faz melhor" e "gosto é que nem braço" (ou qualquer outra parte do corpo, dependendo do grau de sofisticação do comentarista anônimo) nem devem ser analisadas devido ao alto teor de estupidez. As três vertentes mais comuns, compartilhadas por outras bandas e defendidas até por gente esclarecida, encontram base suficiente para existir nesses três vídeos. Infelizmente, não fazem o menor sentido quando tentam defender o mais novo capítulo da crise de meia idade de Rivers Cuomo, "Raditude" [Geffen, 2009].
O argumento mais antigo é o que anda perdendo mais força com a atual indefinição prática entre indie e mainstream: críticos, todos eles, sofrem da síndrome do underground. Sendo assim, o novo status do Weezer incomoda toda essa raça desprezível e invejosa de seres humanos. Mas a virada artística em direção a um pop-rock asséptico deu apenas uma falsa impressão de que existe um novo status: exceto pelo fracasso comercial do cultuado "Pinkerton", em 96, o quarteto sempre teve vendagem considerável. Na cabeça do fã, não existe a possibilidade do crítico elogiar os dois primeiros álbuns porque esses são realmente bons e espinafrar os restantes porque todos eles são realmente ruins. É tudo síndrome de underground.
O primeiro argumento leva ao segundo: os críticos gostam de música difícil. Para esse argumento ser destruído, basta colocar "Raditude" para tocar. (If You're Wondering If I Want You To) I Want You To é um country-pop agradabilíssimo. Sem nenhuma experimentação, sem resvalar na auto-referência. Apenas música pop, rápida, de fácil assimilação. E então, na faixa seguinte, em cima de uma bateria eletrônica e um riff hard-rock-pilantra, Cuomo usa a mesma melodia do refrão de Keep Fishin' para proferir os inacreditáveis versos "Isto é impossível/Isto é improvável/Nesta noite você é meu bebê/E eu sou papai!". Se críticos gostam de música difícil, pesquise quantos de bom senso vão gostar de I'm Your Daddy, uma faixa muito difícil, praticamente impossível (de suportar). Completando o revival não requisitado de "Maladroit", o Weezer recria a não menos insuportável Dope Nose em The Girl Got Hot, logo depois. Isso mesmo, "A Garota Ficou Gostosa". E ainda fica pior, acredite.
A insanidade do papai Cuomo nos leva ao terceiro e mais forte argumento: o Weezer, agora, é uma piada. Rivers Cuomo é o novo Andy Kaufman. Ele pretende subverter a cabeça da crítica musical e promover um debate sobre a falta de rumo da música moderna. Desde a capa, que é praticamente um meme, nada que o Weezer fez em "Raditude" é sério. Dá até para imaginar a cena: Cuomo olhando os comentários sobre Can't Stop Partying, morrendo de rir dos noobies que não entenderam o seu hilariante retrato da geração Y. Acreditando que o compositor é realmente engraçado, dá também para compartilhar uma visão irônica sobre a exploração comercial da cultura indiana pós-Slumdog Milionaire em Love Is The Answer, já gravada pelo Sugar Ray (isso é uma piada também?).
O argumento é forte mas duvida da capacidade do ouvinte. Se você não achou graça, você não entendeu a genialidade. "Raditude", porém, não é genial. As observações irônicas são tão óbvias que se misturam indistiguivelmente com os objetos criticados. Mas não há como negar: o Weezer, agora, é uma piada. Muito sem-graça...
Weezer - Raditude - 35
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Pop-Rock/Hard Rock
IN Picks: (If You're Wondering If I Want You To) I Want You To
Pra quem gosta de: Lady Gaga, Kelly Clarkson, marcar ironia no Orkut
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Ear Fuckery
enviado por César M. em 23.10.09
"A moderna era tecnocrática é definida pela aceleração. Nossos computadores, nossos filmes, nossas vidas sexuais, nossas orações – tudo vai mais rápido agora do que jamais foi. E, quanto mais preenchemos nossas vidas com mecanismos e estratégias que nos poupam o tempo, mais apressados nos tornamos."
Presumindo que somente leitores astutos visitem essa humilde página, todos perceberam que o primeiro parágrafo é uma citação. Enquanto seus olhos fitavam aqueles dois tracinhos curvados em sobrescrito, neurônios excitados se conectavam freneticamente e então, bang!, um terrível pensamento se instaurou sobre suas cabecinhas: ele vai começar a resenha com uma citação! Menos mal é que eu nem sei quem escreveu essas sábias palavras, que figuram atrevidas no release de um livro do jornalista americano James Gleick sobre os desafios da vida moderna. Ah, os desafios da vida moderna! Sempre muito desafiadores. Por isso, a resenha de hoje será sobre o segundo LP do trio americano Homostupids, "The Load" [Load Records, 2009].
E por que esse disco em especial? Porque, não obstante ser considerado um long play, "The Load" é curto. Muito curto. Usando experiência própria para ilustrar a brevidade da bolacha: estou aqui, tentando escrever sobre a primeira faixa... e o disco já está quase terminando! Perfeito para a moderna era tecnocrática definida pela aceleração. Mas já que não dá pra falar muito sobre dinâmicas e climas, falemos sobre as letras: dizem que são engraçadas. Dizem. Abaixo, transcreverei o que entendi:
UGHUEH
UEDIEDJO SEEEEEE
UEDIEDJO SEEEEEE
UEDUITODUITO EEEEEEEEEE
UEDUITODUITO DUDUDUDUDUDUDU
UEDUITODUITO EEEEEEEEEE
UEDUITODUITO DUDUDUDUDUDUDU
(Raw Nightmus)
Bom, pelo menos dá pra perceber que a personalidade dos integrantes é divertida. No blog oficial (se é que é dá para chamar uma página padrão do Blogger, atualizada 5 VEZES desde fevereiro do ano passado, de oficial), eles dizem o seguinte: "Olha só, parece que os travestis da Load Records lançaram nosso interessante segundo álbum". O selo comandado pelos travestis (se você acha Homostupids um nome infame, a Load Records tem em seu cast a incrível Harry Pussy) tem o mesmo nome do disco. E algumas faixas tem o mesmo título de lançamentos antigos. Mas lembre-se, tudo aqui é muito rápido, não há tempo para coisas banais. Como títulos, por exemplo.
Existem duas faixas que ultrapassam os dois minutos. Consequentemente, são essas as mais memoráveis. Baking The Wolf, a mais longa, engorda o hardcore demente do trio com riffs mais detectáveis. Os longos 2 minutos e 48 segundos são completados por um pipilar distorcido, lembrando que, mesmo não parecendo, existe produção. Flapping In The Water termina o álbum também com riffs marcantes, em algo que pode ser definido como surf-core.
E assim, mais ligeiro que uma rapidinha com o Roger Rabbit, "The Load" perpessa fulminante nossos ouvidos. Segundo o próprio selo (que também emprestou o título da resenha), o gênero aqui é Skull Music, uma espécie de Pig-Fuck moderno. Então, além de preencher a sua vida com um mecanismo que poupa o tempo (o tempo gasto é 78% menor do que o usado para ouvir o novo do Flaming Lips, por exemplo), esse álbum te introduzirá a um novo estilo. É toda uma gama de vantagens...
Homostupids - The Load - 70Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Hardcore
IN Picks: Baking The Wolf, Raw Nightmus, Flapping The Water
Pra quem gosta de: Circle Jerks, Hüsker Dü pré-Zen Arcade, Lighting Bolt
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Os 20 Grandes Álbuns dos Anos 70 - #19
enviado por César M. em 20.10.09
O grande desafio de listar e comentar sobre 20 Grandes Discos da Década de 70 é tentar esmiuçar álbuns já exaustivamente discutidos. "Time Of The Last Persecution" [Decca/Eclectic, 1971/2005] é a completa exceção, carregando até hoje uma aura de tesouro perdido. Nesta década, além do relançamento de seus dois álbuns, há quatro anos, Bill Fay já foi regravado pelo cultuado Current 93 e homenageado por Jeff Tweddy (Wilco) com uma versão de Be Not So Fearful no documentário "I'm Trying To Break Your Heart". Jim O'Rourke, Daniel Bejar, Ben Chasny (Six Organs Of Admittance) já declararam influência e profunda admiração. Ainda assim, Fay e sua música permanecem como um grande enigma.
Para entender "Time Of The Last Persecution" é preciso ouvir também o debut, que leva o mesmo nome do compositor. Na capa, um senhor de barba feita, bem arrumado, andando sobre as águas (primeira referência explícita sobre religião, tema onipresente no álbum seguinte). O conteúdo é quase resumido por um selo colado na capa (na ocasião do relançamento), reproduzindo parte de uma resenha na revista inglesa Uncut que definiu Bill Fay como "o elo perdido entre Nick Drake, Ray Davies e Bob Dylan". Só faltou mencionar sua característica principal: toneladas de orquestrações, por todos os lados. A lenda diz que esses arranjos grandiosos foram impostos pela gravadora, que posteriormente ficaria insatisfeita com os resultados comerciais do seu "Bob Dylan britânico". A partir daí, o responsável pelo destino musical era o próprio compositor, que apareceria na capa do álbum seguinte como um prisioneiro desolado. Fay recrutou o guitarrista Ray Russel (na época, um músico focado em improvisações jazzísticas) para a produção e buscou inspiração na Bíblia para suas composições. Por linhas tortas, "Bill Fay" tornou "Time Of The Last Persecution" mais rico, impactante e, ironicamente, um álbum totalmente diferente do anterior.
Vendas decepcionantes são suficientes para deixar um homem com um olhar tão desconsolado como o da capa? O country-blues épico Omega Day, primeira faixa do disco, explica melhor o motivo do trauma: Bill Fay foi avisado por um homem que o juízo final está chegando (isso foi há quase 40 anos... hoje, Fay deve estar decepcionado e impaciente)! Imagina só, você está no bar e tem um cara dormindo. Alguém faz o favor de acordá-lo (dormir no bar não é legal, dá todo um clima de decadência) e depois de alertar que o Dia D está chegando, ele diz que te conhece há muito tempo, vira e vai embora. OK, esse homem será espancado pelos seguranças do bar no lado de fora mas não vai adiantar, palavras como essas marcam uma pessoa para sempre. E esse é só o começo da pregação...
Agora que ouvinte já sabe que o compositor está por dentro de todas novidades sobre o Apocalipse, não dá para ficar espantado com o papo direto de Fay com Deus na faixa seguinte, Don't Let My Marigolds Die. A faixa prova o ecletismo de Russel, pulando da guitarra psicodélica na faixa anterior para um violão de sangue hispânico com naturalidade impressionante. I Hear You Calling é bem mais explícita e, talvez por isso, utilize um arranjo bem mais sutil e confortante. Ecos de Beatles são ouvidos em Dust Filled Room, que traz de volta a estrutura de Omega Day e uma mensagem religiosa bem mais sofisticada que a anterior. As coisas ficam bem mais sérias em 'Til The Christ Come Back e, na mesma medida em que os avisos se tornam mais contundentes, a guitarra chorosa de Russell grita para se sobrepor ao piano. O disco impressiona, mas nem 15 minutos se passaram. Se Deus deu alguma coisa para Bill Fay, foi o dom da concisão.
Release In The Eye começa no padrão do soft rock dos anos 70, mas deixa-se levar pela distorção após uma letra extremamente didática ser despejada. Embora a melodia seja encantadora e a voz de Bill Fay soe bonita e límpida como nunca, os versos "Christ is in the bathroom/ Look in any mirror on the wall/ And Satan’s in the garden shed/ He’d like to screw you all" podem provocar risadas dos mais céticos. Nessa canção, particularmente, a duração curta joga contra. O fadeout grita por mais uns 2 minutos, pelo menos, de celebração instrumental. Laughing Man é estruturalmente parecida, mas pesa muito mais a mão na psicodelia do que a antecessora.
O belo lamento Inside the Keepers Pantry inicia a ainda mais impactante segunda parte do álbum. Tell It Like It Is é uma canção relativamente inocente e finalmente faz a conexão com Nick Drake. Como são os dois são contemporâneos, fica difícil falar sobre influência, mas nesta faixa ouve-se muito do clima que viria compor o clássico "Pink Moon", um ano depois. Até o piano, único instrumento que Bill Fay toca nesse álbum, fica em segundo plano em relação ao violão delicado de Ray Russel. Plan D aumenta a batida revelando uma inclinação para o soul (via Rolling Stones) e indica uma tendência otimista surgindo no discurso obscuro que permeia todo o disco.
Tendência que não se confirma em Pictures Of Adolf Again, de instrumental positivo mas poesia contraditoriamente inquisitória. Fica claro que os demônios de Fay são bem mais reais do que aqueles chifrudos vermelhos cheirando a enxofre. Time Of The Last Persecution e Come A Day funcionam juntas como o ápice da obra religiosa conceitual: a primeira é a própria visão apocalíptica, aumentando sua intensidade a cada virada, até explodir em distorção, bateria e piano descontrolados. Após a tempestade, um discurso pacifista surge à bordo de metais redentores. Russel dá as caras novamente, encerrando Come A Day com um rompante característico do jazz.
Mesmo com final caótico, a faixa poderia encerrar o álbum com otimismo não condizente com o proposta inicial. Por isso, Let All the Other Teddies Know encerra o álbum pedindo emprestado o piano de Laughing Man e sugerindo que a infância é apenas um curto momento de felicidade no corrosivo verso "And be ready, Teddy/ for when the cupboard explodes". Mais pessimista, impossível. Por isso, refute qualquer categorização que leve toda a complexidade de "Time Of The Last Persecution" exclusivamente para um nicho cristão. E com muito mais afinco, qualquer comparação que transforme Bill Fay num mero continuador do trabalho de Bob Dylan. Por esse tipo de rotulagem superficial, um dos grandes clássicos dos anos 70 continua com o injusto status de tesouro perdido e incompreedido. Bom, talvez incompreendido não seja um rótulo tão injusto...
Ano: 1971
Origem: Inglaterra
Gênero: Folk/Progressivo
IN Picks: Tell It Like It Is, Time Of The Last Persecution, Come A Day, Omega Day
Pra quem gosta de: Neil Young, Nick Drake, Scott Walker, Donovan
Sonic Live Youth
enviado por Kaly_sushi em 18.10.09
Bom, só pra dar uma atualizada aqui e aproveitando, claro, que está rolando essa expectativa pela vinda do Sonic Youth ao Brasil: tá aí um show feito em Março (29) deste ano no Movistar Arena, em Santiago do Chile, pertinho...
O show conta com um set list muito variado e a maioria são hits antigos...
SETLIST:
- Teenage Riot | Daydream Nation, 1988
- Bull In The Heather | Experimental Jet Set, Trash & No Star, 1994
- Incinerate | Rather Ripped, 2006
- Hey Joni | Daydream Nation, 1988
- The Sprawl | Daydream Nation, 1988
- Cross The Breeze | Daydream Nation, 1988
- Schizophrenia | Sister, 1987
- Calming The Snake | The Eternal, 2009
- 100% | Dirty, 1992
- Jams Run Free | Rather Ripped, 2006
- Mote | Goo, 1990
- Kool Thing | Goo, 1990
- Pink Steam | Rather Ripped, 2006
- The Burning Spear | EP, Sonic Youth, 1982
- Sacred Trickster | The Eternal, 2009
- Silver Rocket | Daydream Nation, 1988
- Shaking Hell | Confusion Is Sex, 1983
- Express Way To Yr Skull | Evol, 1986
Enfim... Enjoy The music people!
Lua de Cristal
enviado por César M. em 12.10.09Antes que acusações sobre síndrome de underground comecem a surgir, vale reforçar uma posição: o mundo se tornaria um pouco mais ameno se todas as trilhas sonoras de todos os grandes lançamentos hollywoodianos trouxessem nomes importantes como esses. O primeiro parágrafo é constatação, não crítica. Mas se é para se vender, comportem-se como prostitutas de luxo, por favor. A maior parte das canções do álbum funcionam apenas como um curioso passatempo exclusivo para os fãs alucinados dos artistas em questão.
Felizmente, nem tudo é só preguiça. Slow Life, do Grizzly Bear, por exemplo. Ainda assim, não é nada que o quarteto nova-iorquino ainda não tenha feito: melodia pastoral e etérea comendada pela voz frágil de Edward Droste, intercalada com momentos de psicodelia mais pesada. Se não é surpreendente, é plenamente efetiva. O relativamente desconhecido Sea Wolf agrada com o upbeat em The Violet Hour, a canção mais palatável de toda a trilha sonora. Há também os últimos dias frios do Bon Iver antes do hiato (leia-se Volcano Choir) ao lado da americana Annie Clark (St. Vincent) na fantasmagórica Rosyln, uma balada folk que deve assustar os ouvintes acostumados com vampiros que não assustam ninguém.
Porém, as grandes decepções vêm logo no início. Meet Me On The Equinox, a tão esperada canção inédita do Death Cab For Cutie, é mais uma daquelas que Ben Gibbard parece compor em escala industrial após "Transatlanticism". Thom Yorke, logo ele, também é a burocracia em pessoa voltando ao Radiohead era-Hail-To-The-Thief no glitch insosso de Hearing Damage. Os vampiros (!) do Radiohead também estão na trilha: o remix de I Belong To You retira um pouco da cafonice constragedora de Matt Bellamy e transforma a faixa do péssimo álbum recém lançado do Muse em uma composição bastarda do Cake. Soa melhor, mas ainda muito longe de soar interessante.
Antes da tradicional faixa "trilha-sonora-de-verdade" composta por Alexandre Desplat, o álbum termina o desfile indie-engole-o-mainstream (ou vice-versa) com o quarteto inglês Editors. No Sound But The Wind parece disputar com a composição específica de Desplat um lugar no plano de fundo da cena final de "New Moon". Apesar da impressionante voz de Tom Smith contar pontos, o resultado final é inconvincente. Aliás, é esse o grande problema da trilha sonora: assim como os atores do filme em questão, grande parte do seu conteúdo não convence ninguém.
Trilha Sonora - The Twilight Saga: New Moon - 48Ano: 2009
Origem: Variada
Gênero: Variado
IN Picks: Rosyln (Bon Iver & St. Vincent), Slow Life (Grizzly Bear), The Violet Hour (Sea Wolf)
Pra quem gosta de: Pó de arroz, Cosplay, Dawson's Creek
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Os 20 Grandes Álbuns dos Anos 70 - #20
enviado por César M. em 11.10.09
"I've been waiting for a guide to come and take me by the hand" é a primeira frase de "Unknown Pleasures" [Factory, 1979], o prodigioso disco de estréia do Joy Division. A frase é representativa, mesmo se a interpretação seguir linhas distintas. Numa análise mais pessoal, seria um dos primeiros indícios da confusão (física e emocional) instalada na mente do vocalista e líder da banda, Ian Curtis. Ou, colocada no contexto da época, a frase pode indicar a ambição de tornar-se um guia musical na transição da década de 70 para os anos 80. As duas interpretações estão corretas: embora Curtis estivesse emocionalmente perdido, sua música foi a ligação entre a música vigente no fim da década e a eletrônica que tomaria de assalto a década seguinte.
Mas falar de "Unknown Pleasures" e creditá-lo somente a Curtis é uma injustiça. Se a linha de baixo demolidora de Peter Hook não precedesse a frase citada no ínicio da resenha talvez fosse difícil encontrar alguém disposto a dissecar seu significado. Para complementar o simbolismo do ínicio de Disorder, a percussão mecânica e bruta de Stephen Morris, que virou regra no recente revival do post-punk na Inglaterra. Na faixa seguinte, Day Of The Lords, é notório o trabalho do produtor (e dono do selo Factory) Martin Hannett na criação de um ambiente claustrofóbico que viria a ser conhecido como o som do Joy Division (como o próprio Bernard Summer já admitiu, recentemente). Em Candidate, a personalidade de Curtis volta à tona quando os versos "I tried to get to you/You treat me like this" relembram a dificuldade do vocalista com relacionamentos.
Começando uma tríade monumental, New Dawn Fades talvez seja a canção-síntese do álbum, o momento onde todos os envolvidos brilham intensamente e igualmente. Díficil determinar a chave do êxito: o baixo elegante e misterioso? A batida fanstamagórica? Ou a busca desesperada de Curtis por "algo a mais"? Para não ficar em cima do muro, escolho a guitarra de Summer como ponto alto, épica e celebratória. She's Lost Control versa sobre a epilepsia, contando a história de uma mulher que sofria com a mesma doença que motivou o suicídio do vocalista (uma das motivações, na realidade). O baixo, subindo e descendo, parece sofrer do mesmo mal da protagonista. Em seguida, mais uma intervenção primorosa de Summer em Shadowplay, com riffs lancinantes, perturbadores e, ao mesmo tempo, divertidos.
No terço final, a banda que viria a se tornar o New Order dá sinais da sua vocação para as pistas de dança. Pelo menos em Wilderness e, principalmente, em Interzone. Porque I Remember Nothing, em meio a vidros quebrando, termina o álbum elevando suas características ao máximo: visceral, pessoal, sofrido. Características herdadas da personalidade atormentada do líder do Joy Division. Sendo assim, a escolha por uma análise psicológica da primeira linha de Disorder faz mais sentido. Uma pena, mas Ian Curtis preferiu não ficar por aqui para dar a palavra final...
Ano: 1979
Origem: Inglaterra
Gênero: Post-Punk
IN Picks: Shadowplay, New Day Fades, Disorder
Pra quem gosta de: Echo & The Bunnymen, Bauhaus, Velvet Underground



