Eles Tão De Ácido
enviado por César M. em 28.11.09O álbum começa com duas canções relativamente convencionais para justificar o aviso e a fama. Black Sand, a primeira delas, traz guitarra distorcida e orgão sobre uma batida funk, lembrando mais o rock negro (desculpem a expressão) dos EUA (Jimi Hendrix, Funkadelic...) do que os contemporâneos mais famosos do kraut-rock, como Can, Faust ou Tangerine Dream. Em seguida, Places Of Light surge mais fluída, com sopro marcante, apresentando Dawn Muir, a peça chave de "Cottondowhill". O poema declamado serve como mais um aviso, mas o groove da faixa acaba tornando a poesia em acessório. Uma frase se destaca: "Você, quando menos esperar, vai perder a sua almaaaaaaaa". A viagem começou...
Barulho de coisas quebrando e então um riff. Infinitamente, o mesmo riff. Carros, gente gritando, um despertador. E o mesmo riff. Alguém escova o dente, sirenes começam a tocar. E o mesmo riff. Ela sussura desesperadamente. Ela quer que pare, ela quer que continue. Pura paranóia. O que aconteceu? Como aquele disco se transformou nesse? Quando esse riff vai parar? O riff some. E volta. Até que macacos e a Quinta Sinfonia se misturam para anunciar a conclusão da viagem. Engano. É só o meio do caminho.
A canção recomeça e a viagem entra no período de maior turbulência. A pobrezinha celebra e duvida (d)a própria existência num curto espaço de tempo. Chega a um ponto de desorientação em que o efeito passa a ser quase contagioso. Incomoda e fascina ao mesmo tempo. Nos minutos finais do álbum, a voz se exalta mas é abafada por camadas sonoras embaralhadas e irreconhecíveis. O corte abrupto tem a intenção de levar o ouvinte de volta à realidade. É nesse hora que você deveria pensar que Dawn Muir estava apenas lendo e interpretando poesia. E que todos os sons perturbadores são resultado da programação eletrônica executada de forma competentíssima pelo tecladista Hellmuth Kolbe. Mas não dá para pensar nisso. As reações mais comuns são: 1) Desligar o computador, cair no chão e desmaiar; 2) Tentar salvar a coitada das garras do monstro imaginário ou 3) Procurar urgentemente provar do mesmo fubá experimentado pela moça descontrolada.
Demonstrando a condição única do álbum, o Brainticket lançou, três anos depois, um trabalho bem mais convencional e melódico ("Psychonaut"). "Cottonwoodhill" é um experiência tão drástica que nem os próprios criadores ousaram repeti-la. O outro aviso impresso na capa reforça ainda mais o mito insinuando que "após ouvir esse álbum seus amigos podem não te reconhecer". Você quer experimentar?
Brainticket - Cottonwoodhill - 97
Ano: 1971
Origem: Alemanha
Gênero: Krautrock/Psicodelia/Experimental
IN Picks: Brainticket
Pra quem gosta de: Can, Jefferson Airplane, Embryo
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Tente Outra Vez
enviado por César M. em 26.11.09The Bravery - Stir The Blood - 16
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Post-Punk Revival/Synth-Pop
IN Picks:
Pra quem gosta de: pintos (essa capa é tão simbólica), The Killers, Duran Duran
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Futurismo Primitivo
enviado por César M. em 20.11.09Identificação
enviado por César M. em 6.11.09
"(500) Dias Com Ela" [Fox, 2009] é a vingança das comédias românticas. Malvisto pela eternidade, o gênero nos deu uma rasteira trazendo um herói que é fã de Smiths (tem como errar?) e trocando o agente do sofrimento, causado exclusivamente pela parte feminina do casal. E nem tem final feliz para todo mundo dizer que o cinema é a razão de toda a frustação afetiva do mundo moderno. Desde o ínicio, o roteiro deixa claro que a liberadinha Summer (Zooey Deschanel) não vão ficar com o coitado Tom (Joseph Gordon-Levitt). Assumindo posição contrária ao romance e, levando-se em conta que não é exatamente engraçado, o filme pode ser considerado uma anti-comédia-romântica sem mexer em quase nada da estrutura que levou Sandra Bullock ao estrelato nos anos 90.
Aí entra a questão da indentificação. A troca de peças amplia o alcance de um gênero visto como estritamente feminino. Dificilmente algum adulto, homem ou mulher, vai deixar a sala de cinema sem se apaixonar pelos personagens principais. Alavancados pela interpretação honesta de Deschanel e Gordon-Levitt, o casal Summer e Tom brilha sobre a certa superficialidade do roteiro. A protagonista feminina, por exemplo, parece uma entidade. Em certo ponto da projeção, o espectador pode até achar que ela é fruto da imaginação do solitário arquiteto. Falta profundidade em Summer, sobram clichês nas costas do frustrado Tom. Embora viva como um professional de sucesso (o apartamento é quase uma página da "Arquitetura e Construção"), o persongem se arrasta num emprego que não gosta (olha aí a identificação forte, novamente). Emocionalmente, Tom tem a mesma carga sentimental que um herói de "Malhação". Mas isso é uma comédia romântica. Mesmo com os papéis trocados, você sabe que ele vai sofrer.
Faltou também um melhor aproveitamento do elenco de apoio. Ns melhores comédias atuais ("O Virgem de 40 Anos", "Ligeramente Grávidos", "Pequena Miss Sunshine"...), os personagens perífericos dão densidade à história e contribuem com algumas das cenas mais memoráveis desses filmes. Aqui, eles só servem como escada. Os amigos do trabalho, por exemplo, são quase imperceptíveis. E a irmã adolescente, madura e conselheira, aparece tão ocasionalmente que os próprios roteiristas se esquecem da personagem da metade do filme em diante.
Marc Webb tem babagem na direção do clipes e sua versão acelerada de uma história vagarosa é o outro ponto de sustentação do filme. Mais do que do a retropesctiva intercalada, são as pequenas intervenções estéticas do diretor que encantam, pontualmente (como no divertido musical pós-primeira vez). Nada disso impede que "(500) Dias Com Ela" acabe se tornando um "Annie Hall"-hipster. Serve, contudo, para ajudar a ver o que só as mulheres enxergam em filmes como "Enquanto Você Dormia" e "Um lugar chamado Notting Hill". Cinema, às vezes, é pura identificação.

(500) Dias Com Ela - 67
Diretor: Marc Webb
Elenco: Zooey Deschanel/ Joseph Gordon-Levitt
Ano: 2009
Estreia no Brasil: Hoje (06/11)
Gênero: Comédia Romântica
Pra quem gostou de: "Ele Não Está Tão Afim de Você", "Apenas O Fim", "Juno"
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The Stroke
enviado por César M. em 4.11.09
Alguns se espantaram quando Julian Casablancas apresentou no MySpace a primeira faixa de seu álbum solo. Sem razão. Embora 11th Dimension seja um pouco mais radical no uso de sintetizadores, a idéia era a mesma usada em "Room On Fire", o segundo e discutido álbum dos Strokes. E "Phrazes For The Young" [RCA, 2009] é somente aquela mesma idéia, esticada. Sem Fabrizio Moretti, Nikolai Fraiture, Nick Valensi e Albert Hammond Jr., o compositor se sentiu mais à vontade para investir pesado numa estética mais oitentista. Mas liberdade e inspiração nem sempre vem acompanhadas.
Out Of Blue, simbólica, começa o disco trazendo a guitarra típica dos Strokes escondida no meio da confusão eletrônica. Não há como não pensar nos contemporanêos do Yeah Yeah Yeahs e seu álbum mais recente, "It's A Blitz". Mas, apesar do resultado insatisfatório, a banda liderada por Karen O parece bem mais familiarizada com os artifícios de estúdio. Em certo ponto, Out Of Blue chega a aborrecer. E esse não é problema exclusivo desta canção...
A aparentemente nova fixação em Human League chega ao máximo já na segunda faixa, Left & Right In The Dark. O único aspecto interessante da composição é o uso esperto do fade out. Sim, o ponto alto da faixa é o momento em que diminuem o volume. Isso parece ser um problema, Sr. Casablancas. 11th Dimension, o primeiro single, deixa o saldo menos negativo com uma melodia que finalmente não aborrece. Pena que aborrecimento seja a única expressão adequada para definir 4 Chords Of Apocalipse, convictamente anti-diversão.
Ludlow St. abre a segunda metade do álbum com mais ousadia, investindo numa estética meio country, meio sintética. E, num problema recorrente, as idéias parecem se sobrepor de uma maneira que torna tudo muito confuso. A bateria eletrônica, descompassada, parece que também se confundiu com a indecisão do líder dos Strokes. As três faixas que encerram o disco repetem os erros cometidos nas anteriores, sem nenhum destaque.
Julian Casablancas bem que tentou. Trocou os anos 70 pelos anos 80. Trocou também a frieza habitual por uma abordagem mais emocional em suas letras. Saiu por aí falando do seu novo lado progressivo e da enorme diferença entre trabalhar sozinho e trabalhar com uma banda. Em todos os casos, não foram boas escolhas. "Phrazes For The Young", por trás de toneladas de sintetizadores ultrapassados, é só o disco menos interessante dos Strokes.
Julian Casablancas - Phrazes For The Young - 43
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Synth-Pop
IN Picks: 11th Dimension, Ludlow St.
Pra quem gosta de: The Human League, Duran Duran, Yeah Yeah Yeahs
JULIAN CASABLANCAS - 11TH DIMENSION
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Mixtape #10
enviado por César M. em 3.11.09Volcano Choir | Cool Knowledge | Unmap (2009)
Broken Social Scene | Windsurfing Nation | Broken Social Scene (2005)
Animal Collective | Fireworks | Strawberry Jam (2007)
Liars | Houseclouds | Liars (2007)
Girls | Lust For Life | Album (2009)
Dinosaur Jr. | Over It | Farm (2009)
So Cow | League Of Impressionable Teens | So Cow (2009)
Japandroids | Crazy/Forever | Post-Nothing (2009)
Sonic Youth | Anti-Orgasm | The Eternal (2009)
Asa-Chung & Jun-Ray | Hana | Jun Ray Song Chang (2002)
Nova Pasta
enviado por César M. em 2.11.09
- Arnaldo Branco, Mundinho Animal - 26/10





