IndieNation - Rio de Janeiro, Brasil - CONTATO

O Grande Mosaico de Bieber

Caos Controlado


Todo mundo ouviu a promessa, no final de último disco. Cinco anos e algumas aventuras solos depois, o Broken Social Scene volta e não quebra nada. A promessa descumprida não faz de Forgiveness Rock Record [Arts & Crafts, 2010] um disco ruim, exatamente. Calum Marsh, um dos editores do zine Cokemachineglow, no auge do seu espírito trollador, chegou até a defini-lo como "um disco ruim... do U2". Porém, provocações à parte (no início da resenha, o autor se orgulha em diminuir a média do álbum no Metacritic, no melhor estilo Pitchfork), a comparação com os irlandeses demonstra o excesso de correção na nova empreitada do coletivo canadense. Mas isso também não é um grande problema.

Assim como o U2 atual, o Broken Social Scene parece trabalhar de modo confortável demais. Seus dois álbuns anteriores, Your For It In People (2002) e Broken Social Scene (2005), são construções gigantescas erguidas com um perfeccionismo tão intenso que a tensão é facilmente perceptível ao ouvinte. E, ao contrário dos boatos gerados nos anos de hiato, o coletivo ressurgiu cheio de "licenças" e "desculpas". Por isso, entenda o título da maneira mais literal possível: realmente, os músicos parecem pedir licença e desculpa em cada um dos 63 minutos desse novo álbum. Tanta polidez musical não combina com uma dos grandes forças da década passada. Se eles saíssem no tapa mesmo, o resultado seria diferente, pode apostar...

"World Sick" e "All in All" surgiram juntas antes do álbum completo e  ajudaram bastante a sustentar o argumento do jornalista troll. Uma das grandes qualidades do Broken Social Scene é similar àquela que algumas das grandes bandas do post-punk possuíam: anexar à base do rock alguma identidade específica (Joy Division e o gótico, Josef K e o funk...) para substituir o cansaço pelo vigor. Encontrar trocentos músicos talentosos em números tão despersonalizados quantas as canções do U2 pós-Achtung Baby, e logo de saída, não é um bom sinal.

Contudo, o grupo que encantava quando os integrantes pareciam se engalfinhar em batalhas monumentais ("KC Accidental", do segundo disco, e "It's All Gonna Break", do terceiro, são os melhores exemplos) aparece aqui e ali, tornando o conjunto irregular menos maçante, no geral. "Meet Me In Basement", por exemplo, pode ser considerada uma faixa característica de um grupo conhecido por não ter uma forma definida. Eles se reafirmam quando se desafiam, e é essa celebração da batalha que falta na maioria das faixas. "Art House Director", com seção de metais semelhante a de Illinois (Sufjan Stevens), outro clássico perdido de um longínquo 2005, também encanta pelo esmeiro na produção e o empenho na execução.

Outro positivo (e nesse ponto, o humor do ouvinte deve ser levando em conta) é ver a absoluta falta de noção de Kevin Drew ainda intacta. O homem que já escreveu versos clássicos como "...I love shit/ cause shit tastes so good" e "You are too beautiful to fuck" é o responsável pela inacreditável letra de "Me and My Hand". O moleque de 13 anos que ainda mora dentro de você vai se emocionar quando Drew, com sofreguidão, cantar tão sutis versos como "Me and my hand/ we've been together since I was born.../ I always love you". Inacreditável, não?

Em momentos como esse, quando os músicos deixam suas personalidades soltas no ringue, o coletivo vai muito bem, mesmo que a intenção seja só contar um pequena piadinha. Porém, desde a concepção, esse é um álbum que pede desculpas. Trata-se de um provável reconciliação interna mas que comete o engano de levar o conceito muito ao pé da letra. O Broken Social Scene não devia desculpas a ninguém.

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FICHA TÉCNICA
Artista: Broken Social Scene
Álbum: Forgiveness Rock Record
Origem: Canadá
Ano: 2010
Gênero: Indie Rock
Escolhas do IN: "Meet Me In The Basement", "Art House Director", "Texico Bitches"
Pra quem gosta de: The Sea And The Cake, The Flaming Lips e... errr... U2




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ALOKA HAHA

Kele Okereke, ex-líder da ex-banda britânica Bloc Party, não é músico. Kele Okêkeé, ex-líder da ex-banda britânica Bloc Party, é um ativista. O italo-house orgulhosamente gay que o acompanha desde os tempos de A Weekend In The City (mais timidamente, é verdade) é agora matéria bruta exclusiva de The Boxer [Glassnote Records, 2010], sua estréia solo. É claro que esse álbum foi feito para tocar no club londrino arrasante e receber elogios dos amigos arrasantes de Kele KeroKero. É um grito de libertade, de amor, de respeito! Não sou um amigo arrasante de Kele RaraKéKu, mas o elogio pela coragem. Porém, infelizmente, o resultado não tem o mesmo apelo fora do club londrino (arrasante). Então vamos falar de outra coisa...

E o Dunga, hein? Não conseguiu fazer a seleção jogar bem mas conseguiu um levante revolucionário contra a Rede Globo. Onde? No Twitter, é claro, a mídia social que reúne leitores da Folha de São Paulo e fãs de Alceu Valença num só lugar! E você sabe que esse tipo de gente não sossega enquanto você não confessar que é manipulado pelas mentiras da emissora carioca (naturalidade em negrito, por favor). E dá-lhe link do blog do Azenha ou qualquer outro editor do Jornal da Record, cheio de verdades sobre os verdadeiros interesses da toda-poderosa. "Você não viu? A Rede Globo queria uma entrevista exclusiva, MAS QUE AUDÁCIA! MORTE AO ROBERTO MARINHO!".

Antentem para esse revelação nostradâmica extraída de uma comunidade no Orkut:
"A Globo quer o Serra. Uma vitoria do Dunga marca o governo do Lula e a REDE globo não quer isso"

Como é o que o povo brasileiro não enxergou isso ainda? Que coragem dessa lutadora comunista! Publicar um comentário tão bombástico pode significar represálias duríssimas. Já pensou em Zileide Silva e Paulão do Zorra Total com tacos de beisebol no seu quarto exigindo aos berros "APAGUE ESSE COMENTÁRIO! APAGUE! [barulho do taco na costela] NÓS QUEREMOS MANTER NOSSO MONOPÓLIO SOBRE A MÍDIA ESCRITA E FALADA E SEU COMENTÁRIO CORAJOSO ESTÁ IMPEDINDO O NOSSO CONTROLE"? Não, eu nem quero pensar...

E antes que acusem o blog de anti-patriotismo ou conivência com o sistemão, saibam que eu torço sempre para o Brasil até em amistoso contra a Tanzânia (até por falta de opção, já que não moro no Rio Grande do Sul, nem tenho tataravós italianos para disfarçar), mesmo balançado pelo charme desse país tão intenso e selvagem.

IndieNation, a gente se vê por aqui!


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FICHA TÉCNICA
Artista: Kele
Álbum: The Boxer
Origem: Inglaterra
Ano: 2010
Gênero: Euro-Pop/Bassline
Escolhas do IN: "Tenderoni", "Unholy Thoughts"
Pra quem gosta de: Lady Gaga, Chemical Brothers




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Shake It



ALLO DARLIN' - POLAROID SONG

Mixtape #14: Ed. Especial Vuvuzela



MIXTAPE 0014 | 105 MEGABYTES


RADIOHEAD | THE HELIOCENTRICS | CHARLES SPEARIN | FANFARLO 
KINGS OF CONVENIENCE | BENT BY ELEPHANTS | LAMBCHOP | JASON ANDERSON 
CORDUROY UTD. | SLY & THE FAMILY STONE | TORTOISE & BONNIE 'PRINCE' BILLY
DOSH | BON IVER | BARK PSYCHOSIS | BROKEN SOCIAL SCENE


Derivação Convicta

Originalidade, eis um tema controverso. Como exigir, se na era dos mashups, tudo já parece ter sido feito? Partindo do princípio da imobilidade criativa, surgem coisas como o quarteto nova-iorquino The Drums, que conseguiu a façanha de figurar em duas capas do caquético semanário inglês NME em menos de 6 meses. Analisando com mais cuidado o primeiro LP, dá até pra perceber as boas intenções: nome inspirado nos encartes dos Smiths (o que gerou simpatia recíproca de Morrissey e Mike Joyce, aka The Drums), boas influências do indie-pop inglês dos anos 80 (geração que a própria NME eternizou na fitinha C86), além de uma clara preocupação com os efeitos negativos de uma produção exagerada. Intenções que não escondem um grande problema: o Drums só quer pagar tributo. Parece que os rapazes, certíssimos que nada plenamente original pode ser criado em 2010, não se deram ao mínimo trabalho de escrever sequer uma linha de baixo.

Exagero? Ouça os primeiros 10 segundos de  "Disorder", do Joy Division (outra influência declarada pelos integrantes originais Jonathan Pierce e Jacob Graham). Com pequenas variações, essa é a base de TODAS as faixas de The Drums [Moshi Moshi/Island, 2010], por mais incrível que isso possa parecer. Pierce, por sua vez, não evita as comparações com Robert Smith, simulando com muito afinco o estilo lamentoso do líder do Cure. Também em TODAS as faixas. Então só o que sobra é o senso melódico do grupo, algo que não requer esforço ou grandes habilidades. E para quem passou a adolescência em volta das canções do catálogo da Sarah Records, é algo bem fácil de assimilar.

É isso o que salva parte do long play. "Best Friend" serve para a pista, mesmo que pareça demais com o afro-beat-pasteurizado do Vampire Weekend (o que coloca o Drums em desvantagem até em relação a contemporâneos). "Let's Go Surfing" e "Down By The Water" apostam em estruturas melódicas cinquentonas e conseguem se destacar com muita facilidade de um miolo de faixas muito parecidas. Um simples violão em "I'll Never Drop My Sword" já serve para colocar a inocente canção na mesma categoria das anteriores. Apesar da imprevista comicidade no título, o momento mais engraçado se esconde em "Book Of Stories", nos geniais versos "I thought my life would get easier/ Instead it's getting harder". Parece bem claro que falta estrada para esses caras.

O que pode ser um exagero é compará-los a cretinice do Bravery, além de ser uma grande patetice analisar um álbum se baseando no que um artista poderá se tornar. Mas é dificil enxergar um futuro para o Drums diferente do desolador presente dos vizinhos comediantes. Por enquanto, tudo que o eles tem para oferecer são boas intenções, apenas.


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FICHA TÉCNICA
Artista: The Drums
Álbum: The Drums
Origem: EUA
Ano: 2010
Gênero: Post-Punk/Lo-Fi
Escolhas do IN: "Let's Go Surfing", "I'll Never Drop My Sword", "Down By The Water"
Pra quem gosta de: The Cure, Girls, Born Ruffians




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Trilhas Sonoras Não Prestam Mais

Suspicious Hand Movement

"_______________ não presta mais. Vou xingar muito no Twitter hoje. Sério."

Complete a sentença com qualquer artista de fama independente que se atreva a participar das trilhas sonoras da saga Crespúsculo para sentir como se comportam os fãs, depois do fatídico anúncio. O problema é com a quantidade de "não-iniciados" que passarão a conhecer o artista em questão a bordo do alcance estupendo que um blockbuster hollywodiano possui. Inocente, mas psicologicamente explicável para alguém que passa a juventude inteira ouvindo que cultura de massa é estupidez. É a famosa síndrome de underground, tão popular na caixa de comentários deste blog. O que esses fãs não percebem é que o problema não é como eles se apresentam ao grande público, mas com o que eles se apresentam. The Twilight Saga: Eclipse [Chop Shop/Atlantic, 2010] é uma trilha sonora capenga porque tem composições capengas, e não porque tem um público-alvo capenga. Ou será que temos um Dilema de Tostines aqui? Melhor não se estender...

E olha que a culpa da irregularidade em Eclipse não é dos artistas que são regularmente ruins, como o Muse, por exemplo. Porque desses a gente nem espera muito mesmo. Os pilantras ingleses colaboram com mais um hilário medley de Radiohead-pré OK Computer com Fafá de Belém em "Neuro Star Collision (Love Is Forever)". Mesmo caso de Bravery e Metric, que aparecem, por coincidência, juntos no ínicio da trilha sonora. Em seguida, Florence Welch e Sia se esforçam pra ser Kate Bush e, infelizmente, conseguem. "My Love" e "Heavy in your Arms" são duas longas maçarocas que se apóiam exclusivamente na potência vocal das duas cantoras. E como ambas usam o mesmo artifício por 5 insuportáveis minutos, fica difícil aguentar sem sofrer uma convulsão. Sem contar que o lamentoso refrão "I am so heavy, I am so heavy..." ficaria muito melhor na voz de uma Beth Ditto, não é mesmo?

Como em toda trilha, alguns músicos demasiadamente lisonjeados pelo convite para declinar, acabam requentando o que parecem ser sobras de trabalhos anteriores. Eles vão lá, pegam um lado B no baú de canções esquecidas, enfeitam um pouco e enviam pra gravadora. Como as inéditas de Fanfarlo (que ainda deve canções tão boas quanto eram os primeiros singles), Band of Horses e UNKLE, por exemplo. "Chop and Change" traz um Black Keys fazendo o que sempre faz e, portanto, entrando na mesma categoria. Deboche é colocá-los ao lado de Jack White, como se quisessem dizer que o que eles sempre fazem é o mesmo que o White Stripes também faz. Porém, o mundo é um moinho, e a entediante "Rolling on a Burning Tire" coloca o Dead Weather muito mais perto do fracasso do que os fãs de White. Já as batidas pesadas que Beck Hansen encomendou para Natasha Khan em "Let's Get Lost" funcionam como um alento para a preguiça geral que acometeu os músicos convidados. Também surpreendendo, um irreconhecível Vampire Weekend apresenta "Jonathan Low", pop-rock oitentista esquisitíssimo, com direito a arranjo de cordas indecente no final. Sim, eles surpreendem negativamente, mas vamos lá, eles pelo menos tentaram...

De longe a banda mais desconhecida no tracklist, o Eastern Conference Champion deixa o ouvinte assustado: em 2010, ainda tem gente cantando igual a Eddie Vedder! Falando em vozes distintas, já no final de uma tortuosa audição, Cee Lo Green vai bem longe de Danger Mouse e do hip-hop, mostrando que aprendeu um pouco no tempo que esteve ao lado do produtor. Ainda há tempo para a composição clássica de trilha sonora e uma faixa bônus do Battles que, para manter saudável a ótima impressão que a banda deixou em "Mirrored", deve permanecer para sempre no limbo dessa trilha estranha.

Contudo, a estranheza é relativamente esperada. A escolha por faixas inéditas entra num confronto inevitável com a predileção dos músicos pelos seus próprios trabalhos. Sendo assim, os fãs mais ranhetas não precisam ficar preocupados: pálidos como o vampiro afetado que protagoniza a série, os participantes da trilha de Eclipse provavelmente não vão seduzir muita gente.



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FICHA TÉCNICA
Artista: Vários
Álbum: The Twilight Saga: Eclipse
Origem: Variada
Ano: 2010
Gênero: Trilha Sonora
Escolhas do IN: "Let's Get Lost", "What Part Of Forever", "Chop And Change"
Pra quem gosta de: multiplex, maquiagem excessiva




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MIXTAPE #13


MIXTAPE 0013 - 107 MEGABYTES


U.S. GIRLS | HOLY FUCK | JANELLE MONÁE | MUNCH MUNCH | THE LAST DINOSAUR DENSELAND | WONDERSWAN | MI AMI | TORO Y MOI | SCHOOL OF SEVEN BELLS  LOVE CONNECTION | THE NATIONAL | DOSH | FLYING LOTUS | GIL SCOTT-HERON


BE MY GUEST

Post Hip Hop

Na sombra dos merecidamente aclamados Cosmogramma e There Is Love In You (de Flying Lotus e Four Tet, respectivamente), outro grande álbum do seara eletrônica em 2010 clama por mais atenção. Tommy [anticon., 2010] é o LP mais recente do multi-instrumentista Martin Luther King Chavez Dosh, um registro tão variado quanto as habilidades musicais do mentor. Dosh, que nunca se furtou de imprimir uma representativa carga pessoal nos seus trabalhos (constam na sua discografia homenagens ao filho, esposa e irmão), intitulou seu novo álbum em memória do parceiro de estúdio Tom Cesario, falecido em 2008. E que bela homenagem é dedicar a um grande amigo seu melhor trabalho até agora.

Tommy começa de ponto onde Wolves & Wishes parou, mesmo que esse local não seja facilmente distinguível. Existem inspirações na eletrônica dos anos 90, no post-rock, certa liberdade jazzística na instrumentação e, por trás, um leve resquício do se poderia chamar de hip hop experimental, rótulo costumeiro dos labelmates na Anticon. Pode ser herança do complicado processo de composição (esse vídeo deixa claro como parece tudo parece muito complexo), mas fica difícil até procurar similaridades em outros músicos, com o perigo de ser traído no minuto seguinte: artistas tão diversos como Broken Social Scene, Frank Zappa, Radiohead e o já citado Flying Lotus poderiam ser descritos como semelhantes, o que certamente prova a singularidade que a música de Dosh tem adquirido nos seus últimos lançamentos.

A face mais reconhecível de Tommy é revelada já na divertida embolada glitch hop "Substraction", faixa que abre o álbum. A mesma matéria bruta é encontrada em "Yer Face", "Town Mouse" e na gigante "Country Road X", mas em diferentes níveis de tensão. Na última, o piano (que também encanta em "Loud", faixa que lembra bastante "Pyramid Song", do Radiohead) e o violão amenizam as batidas com delicadeza suficiente pra fazer a gravidade sumir. E para justificar a presença no selo e agradar ao ouvintes de longa data, "Airlift" aparece lá pelo meio da tracklist, com batida hip hop e contornos épicos desenhados com piano e sintetizadores.

A inclinação de Dosh em direção ao jazz e ao post rock acabam levando-o as faixas mais poderosas de Tommy. A impressionante "Call The Kettle" tem clara inspiração jazzística, com sua percussão desordeira chamando pra briga um saxofone irriquieto, um violão elegante e uma guitarra distorcida em diferentes momentos. Já "Gare de Lyon" é post rock na sua melhor forma, mesmo que o gênero provoque bocejos a essa altura do campeonato. Lá pelos 6 minutos e meio, quando a canção explode num ataque violento de guitarra e bateria, a outrora fragmentada música de Dosh parece a quilômetros de distância de um clímax tão pacientemente construído.

É uma pena que um disco tão imenso não tenha obtido a repercussão e reconhecimento que merece. Provavelmente, vai ficar de fora das listas de melhores do ano, assim como não ganhou destaque na capa dos sites mais descolados. Porém, assim como Andrew Bird deixa claro na sua brilhante participação em "Number 41": a vida não é uma competição. Mas se for, Dosh certamente venceu.


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FICHA TÉCNICA
Artista: Dosh
Álbum: Tommy
Origem: EUA
Ano: 2010
Gênero: Electronica/Post Rock/Hip Hop Experimental
Escolhas do IN: "Gare de Lyon", "Country Road X", "Call The Kettle"
Pra quem gosta de: Radiohead (Amnesiac), Four Tet, Flying Lotus




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