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All I'm askin'...


O negócio da música é frenético demais...Veja o caso do Klaxons, uns moleques sem muita coisa a dizer, alçados a categoria de ícones de uma geração com apenas um single e, alguns minutos depois, transformados na grande piada de uma geração. O movimento de ascenção e queda que bandas demoram alguns anos para completar, com apenas um LP na discografia. Já familiar à adoração e ao desprezo da crítica, o quarteto lança só agora o seu segundo disco cheio, Surfing The Void [Polydor, 2010], como se pedisse "por favor, nos respeitem!".

Para isso, recrutaram o americanão Ross Robinson (figura chave do nu metal, no fim dos anos 90) com um claro objetivo: acrescentar peso a brincadeira disco punk do primeiro álbum. A mão pesada de produtor é facilmente perceptível em vários momentos, alguns bizarramente semelhante a hits do Korn. A faixa título, por exemplo, seria apenas um similar anêmico de "Atlantis To Interzone" mas acaba tranformando-se num Frankenstein mezzo nu rave, mezzo nu metal. O estranhamento chega a um nivel ainda maior na já conhecida "Flashover", faixa que sugere a imagem de Robinson com armas na cabeça de cada um dos integrantes.

O problema de Surfing The Void, porém, não é presença de um produtor casca-grossa . No geral, ele consegue até extrair uma certa dose de humanidade dos garotos. A grande questão que engessa qualquer possibilidade de crescimento é a incapacidade criativa dos britânicos: até mesmo os Ramones foram capazes de mais variáveis melódicas! As grandes diferenças entre esse e o álbum anterior só são indentificáveis nas pontes das faixas mais longas, como "Flashover" e "Cypherspeed", embora fique claro que os trechos são resultantes de interferências de estúdio.

Mesmo que seja uma manobra excessivamente subordinada, há um certo mérito nessa busca do Klaxons por densidade. Mas não foi dessa vez que eles conseguiram. Essas 10 faixas, nas suas estruturas, são idênticas as 10 faixas do álbum anterior, apesar da roupa nova. Era um jogada melhor tentar oferecer outras possibilidades criativas ao ouvinte. Surfing The Void, ao contrário, tenta se livrar do estigma pela superfície, somente empurrando uma imagem mais americana e mais adulta. Parece que dessa vez, eles só querem respeito. Boa música? Fica pra próxima...


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FICHA TÉCNICA
Artista: Klaxons
Álbum: Surfing The Void
Origem: Inglaterra
Ano: 2010
Gênero: Disco-Punk
Escolhas do IN: "Cypherspeed", "Flashover"
Pra quem gosta de: Delphic, Arctic Monkeys, Datarock




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Ascensão e Queda do Império No Wave


Um evento histórico aconteceu e ninguém compareceu. Uma bomba atômica foi ativada e ninguém ficou sabendo. Um foto real da Scarlett Johanson nua foi revelada e ninguém se interessou. Uma sequência de Poderoso Chefão foi lançada e os cinemas estiveram completamente vazios.

Esse escala de absurdo é a suficiente para ilustrar o estranho desprezo com que uma das mais esperadas e temidas continuações da história da música moderna vem sendo tratada. Esperada e temida só por 12 pessoas, pelo visto... Sem resenhas, sem anúncios, sem discussões acaloradas em fórums e shoutboxs, The Ascention: The Sequel [Systems Neutralizers, 2010] é uma ousada volta de Glenn Branca ao exato ambiente que deixou muita gente estarrecida há 29 anos. Levando o subtítulo ao pé da letra, o álbum traz as mesmas quatro guitarras, o mesmo baixo e bateria, no mesmo quarto, no mesmo estúdio, com o mesmo produtor e o mesmo artista de capa. Mas será que depois de dezenas de discos do Sonic Youth e de milhares de bandas de post rock, um novo The Ascention ainda faz sentido? Passados 5 meses desde o lançamento, pouca gente pareceu se importar com essa questão.

Talvez seja culpa do próprio artista e sua trajetória inusitada. Mas atendo-se exclusivamente ao fator criativo, a sequência é inegavelmente menos impactante que o clássico de 1981. As três primeiras faixas são descendentes diretas do número mais acessível do projeto original, "Light Field (In Consonance)". As guitarras se confrontam da mesma maneira, mas resvalam perigosamente numa espécie bizarra de hard-rock ("Carbon Monoxide" engata até uma marcha meio "Highway Star", do Deep Purple, para desespero dos puristas). Mas aí o maestro resolve lecionar. E a lição número 3 é daquelas para vida!

O tipo de estrutura pacientemente construída de "Lesson N° 3 (Tribute For Steve Reich)" é um dos ensinamentos mais usados e gastos pela turma do post rock, e talvez por isso seja tão empolgante ouvir o autor da teoria reescrevendo sua própria história. As quatro guitarras do Glenn Branca Ensemble crescem em progressão matemática dando uma conotação quase científica à quarta faixa do LP. "The Blood", em seguida, surge demolindo estruturas e teorias com 20 minutos de admirável descontrução da lição anterior. "Lost Chords" fecha a sequência com mais da receita controversa do íncio, mas o resultado é bem mais satisfatório.

Já que estamos falando de um mestre, não custa nada lançar uma tese sobre a falta de atenção recebida pelo álbum: The Ascention: The Sequel não supera o clássico, tampouco envergonha os fãs do predecessor, logo, não é uma peça de grande interesse filosófico. Junta-se a isso o mínimo interesse do autor em promovê-lo e completamos o quadro. Justificado em termos de popularidade, porém, imperdoável ao levarmos em conta a desatenção dos sites especializados. Intencionalmente, ou não, Glenn Branca continua fazendo música para poucos.


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FICHA TÉCNICA
Artista: Glenn Branca
Álbum: The Ascention: The Sequel
Origem: EUA
Ano: 2010
Gênero: Experimental/No Wave
Escolhas do IN: "Lesson No. 3 (Tribute To Steve Reich)", "The Blood", "Last Chords"
Pra quem gosta de: Sonic Youth, Godspeed You! Black Emperor, Boris




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VOLTEI AMGS

Heartbeats #3 - Podcast



     


 LISTA

[00:00 - 03:39] AUTOLUX | HIGHCHAIR | TRANSIT TRANSIT 

[03:39 - 05:46] CUT CHEMIST | PART 1 | SOUND OF POLICE [TRECHO]

[05:47 - 12:25] MEGAFAUN | EAGLE | HERETOFORE

[12:25 -14:20] LAURA STEVENSON AND THE CANS | LANDSLIDE SONG/THE DIG | A RECORD

[14:20 - 16:52] MINIATURE TIGERS | GOLD SKULL | FORTRESS

[16:52 - 18::22] MOUNT KIMBIE | BEFORE I MOVE OFF | CROOKS & LOVERS [TRECHO]

[18:22 - 22:47] JENS LEKMAN | THE END OF THE WORLD IS BIGGER THAN LOVE | SINGLE

[22:47 - 25:40] DUNGEN | MARKEN LÅG STILLA | SKIT I ALLT

[25:40 - 30:42] CASIOKIDS | GRØNT LYS ALLE LEDD | TOPP STEMNING PÅ LOKAL BAR

[30:42 - 32:18] PANDA BEAR | SLOW MOTION | TOMBOY [TRECHO]

[32: 18 - 38:46] TWIN SISTER | THE OTHER SIDE OF YOUR FACE | COLOR YOUR LIFE

[38:46 - 42:48] ON/FENNESZ | A TARDY ADMISSION THAT THE CRISIS IS SERIOUS | SOMETHING THAT HAS FORM & SOMETHING THAT DOES NOT

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