IndieNation - Rio de Janeiro, Brasil - CONTATO

2010

Heartbeats #4 - Podcast



     
Heartbeats #4 | Download

LISTA

[00:00 - 03:00]
CARL BRADNEY | SLIPPIN' INTO DARKNESS (ORIGINAL DO WAR) | DARKER THAN BLUE, SOUL FROM JAMDOWN 1973-1980 [BLOOD & FIRE, 2001]

[03:01 - 05:50]
CROCODILES | GROOVE IS IN THE HEART/CALIFORNIA GIRLS  (ORIGINAL DE DEEE-LITE/BEACH BOYS) | SLEEP FOREVER, SINGLE [FAT POSSUM, 2010]

[05:50 - 08:00]
JAPANDROIDS | SHAME (ORIGINAL DE PJ HARVEY) | HEAVENWARD GRAND PRIX, SINGLE [POLYVINYL, 2010]

[08:00 - 08:40]
LLOYD CHARMERS | DARKER THAN BLUE (ORIGINAL DE CURTIS MAYFIELD) | DARKER THAN BLUE, SOUL FROM JAMDOWN 1973-1980 [BLOOD & FIRE, 2010]

[08:40 - 12:04]
LAND OF TALK | HAMBURG, NOON | A CLOAK AND A CYPHER [SADDLE CREEK, 2010]

[12:04 - 15:40]
NO AGE | GLITTER | EVERYTHING IN BEETWEEN [SUB POP, 2010]

[15:40 - 18:53]
HOT PANDA | MASCULINITY | HOW COME I'M DEAD [MINT RECORDS, 2010]

[18:53 - 22:10]
RAFTER | PAPER | ANIMAL FEELINGS [ASTHMATIC KITTY, 2010]

[22:10 - 26:20]
OF MONTREAL | GIRL NAMED HELLO | FALSE PRIEST [POLYVINYL, 2010]

[26:20 - 30:26]
SUPERCHUNK | EVERYTHING AT ONCE | MAJESTY SHREDDING [MERGE, 2010]

[30:26: 37:35]
BEAR IN HEAVEN | BEAST IN PEACE (THE HUNDRED IN THE HANDS BEAST IN BEAT REMIX) | BEAST REST FORTH MOUTH: REMIXED [HOMETAPES, 2010]

[37:35 - 41:05]
HOW TO DRESS WELL | READY FOR THE WORLD | LOVE REMAINS [LEFSE, 2010]

[41:05 - 49:42]
MADLIB | MINGUS | ADVANCED JAZZ [STONES THROW, 2010]

Keep It Real


     
Weezer - Run Away

Sabe qual é o grande problema do Weezer atual? É que voltar atrás não é nada fácil. Fazer Rivers Cuomo se comportar como adulto de 40 anos não é tão simples assim: imagina, é como se o Diogo Mainardi pedisse uns minutos àqueles anciões do Manhattan Connection para dizer que é filiado ao PT ou Miguel Fallabella se declarando hétero em entrevista para a Patrícia Poeta. Cuomo chegou num nível Mainardi de caricatura e a dissolução do personagem foi ficando cada vez mais complicada.

É uma teoria para explicar porque, desde "Maladroit", Rivers e seus comandados tem disputado a tapas com Liz Phair o papel rídiculo de grande fraude do indie rock americano dos anos 90. Com a saída de Matt Sharp, faltou alguém com a mínima noção ou coragem para dizer "amg, chega né, já entendemos que você é um tio divertido, não precisa desse dueto com o B.O.B!". Dez anos se passaram e finalmente encontramos um Weezer naquele mesmo limite saudável de irrelevância do "Álbum Verde". Isso nem mesmo faz de Hurley [Epitaph, 2010] um álbum regular, mas é suficiente para torná-lo um importante marco na discografia da banda. Cuomo ainda está lá com sua vastas coleção de clichês, sua fixação inexplicável em hard-rock e, segurem-se, sua recente admiração pelo indie-dance a la Killers/Bravery. Porém, com uma dose rara (para eles, atualmente) de humanidade e honestidade, Hurley pode significar o surgimento de uma tendência positiva na consideravelmente debilitada carreira do quinteto.

Sem "Beverly Hills", sem "Can't Stop Partying", sem "Heart Songs"... Sim, o Rivers Cuomo Real ainda faz canções estranhíssimas mas, dessa vez, nada tão assustador. "Trainwrecks" é, facilmente, a pior delas, um exemplo do pop rock radiofônico que transformou a banda numa piada de mau gosto. "Where's My Sex?", de natureza parecida (e o que mais poderia se esperar de um título como esse?), e o equivocado barulho no final de "Unspoken" completam um trio de faixas absolutamente descartável. Porém, logo depois das três, um grande presente para os fãs com a volta daquele Weezer, de 15 anos atrás, em "Run Away".  Com lançamentos próximos, a faixa poderia estar tranquilamente no novo álbum do imprescindível Superchunk.

Com faixas medianas e o bom encerramento "Time Flies", Hurley termina deixando no ouvinte o mesmo sorriso tranquilo que o ator Jorge Garcia abre na capa do disco. E a qualidade do conteúdo, nesse caso, é o que menos importa: Hurley arranca sorrisos porque mostra um velho amigo caindo na real. Não é o Weezer de 94, mas um Weezer condizente com seus muitos anos de estrada: irrelevante, pode ser, mas digno.



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FICHA TÉCNICA
Artista: Weezer
Álbum: Hurley
Origem: EUA
Ano: 2010
Gênero: Power Pop
Escolhas do IN: "Run Away", "Time Flies"
Pra quem gosta de: Ash, OK Go, Fountains of Wayne




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Faça Você Mesmo. Mesmo.


     
Buke And Gass - Medulla Oblongata

Se existe uma grande e cruel verdade estampada na face enrugada da música moderna é que ela será, para sempre, resultado do que foi. E se nada mais realmente original pode ser criado, que tal fazer outros instrumentos, só pra dar uma variada? A dupla nova iorquina Buke And Gass, adepta radical da estética DIY, deve ter pensado a mesma coisa ao criar, adivinhem só, o buke (um ukelele aditivado, com seis cordas) e o gass (um x-instrument, meio baixo, meio guitarra). Não criaram exatamente um novo gênero, mas o debut Riposte [Brassland, 2010] e seus incríveis loops de aparência eletrônica e natureza bluesística são, de longe, a maior novidade da música pop no presente ano.

Mas não pense que Arone Dyler e Aron Sanchez, identificados daqui para frente como Os Arones, recorreram às novidades por lamentar o estado da música na primeira década do novo século. Por mais inusitado que isso possa parecer, construir novos instrumentos é o trabalho dos dois. Antes eles costumavam entregar suas idéias mirabolantes nas mãos azuis e estranhas do Blue Man Group (aqueles mesmos que aparecem, de maneira bastante suspeita, durante o banho de um homem feito no comercial da TIM). Hoje, depois do apadrinhamento do National, as criações são divididas.

A virulência de "Riposte" poderia ser reduzida em caso de superdosagem (como ocorre, infelizmente, em alguns discos baseados em idéias inusitadas), mas os Arones sabem usar com inteligência suas potentes criações. Climas demolidores, como a da faixa de abertura "Medulla Oblongata", convivem harmonicamente com ambientes mais melancólicos, criados com cuidado em faixas como "Red Hood Came Home" e "Immoral But Just Fine, Okay". Existe relativa semelhança com o Dirty Projectors, mas essa é uma impressão mais superficial: enquanto a dupla soa como um surpreendentemente acessível Led Zeppelin em loop, os vizinhos de Brooklyn oferecem estruturas bem mais intricadas e cerebrais.

O único senão fica por conta da incapacidade física da dupla, já que, aparentemente, eles tem apenas dois braços e duas pernas. Como todos os instrumentos são tocados ao mesmo tempo, a parte percussiva é deixada de lado em nome da praticidade, e a dupla acaba por revelar certa carência nesse setor. Nada que chegue a afetar a felicidade que é ouvir essa bem vinda surpresa. Talvez a única maneira de surpreender em 2010 seja levar conselhos ao pé da letra...


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FICHA TÉCNICA
Artista: Buke And Gass
Álbum: Riposte
Origem: EUA
Ano: 2010
Gênero: Folk/Experimental
Escolhas do IN: "Red Hood Came Home", "Medulla Oblongata", "Medicina"
Pra quem gosta de: Dirty Projectors, Yeah Yeah Yeahs, Led Zeppelin




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