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Discografia Comentada | Muse

Resenha | Copacabana Club - Tropical Splash


Como apêndice de resenha, assim, bem en passant, para não incomodar, comenta-se que algumas escolhas da banda Copacabana Club (como o nome, da banda e do disco, por exemplo) revelam certo oportunismo. É certo que não é feitio da imprensa brasileira se indispor com essa juventude bem nascida mas essas escolhas dizem muito mais do que a crítica brasileira (inclua aí, irresponsavelmente, blogs) enxerga. É algo confuso no cerne do conceito artístico: eles simplesmente poderiam não saber tocar (check!), eles simplesmente poderiam não ter criatividade (check!), eles simplesmente poderiam ter chegado um pouco atrasados (check!), tudo facilmente perdoável... O problema é que os planos de grandiosidade do quinteto curitibano acabam transformando a natureza do negócio: definitivamente, Tropical Splash [ST2, 2011] não é música.

Pra não deixar maiores dúvidas sobre o conteúdo deste LP, Tropical Splash é uma peça publicitária. Muito da música jovem da década passada tem essa característica e, sendo essa a aparente fonte única de inspiração dos artistas em questão, seu peso duplica. Com exceção de um número sessentista (não me diga!) lá pelo meio do disco, todas as faixas são uma tentativa de reproduzir mecanicamente o sucesso comercial do rock dançante da década anterior, música de comercial da Adidas, música para Popload. Não há nenhuma referência a algo tropical/ao Tropicalismo per se, exceto no conceito mercadológico da coisa, uma tentativa de enganar estrangeiros ao localizá-los próximos da música de invenção brasileira, quando a verdade é que este álbum está próximo da (ou na) prateleira de liquidação do indie-dance-inglesinho de 2005, junto de Goodbooks, Sunshine Underground, CSS e outros nomes igualmente insignificantes.

O Copacabana Club é um grande plano, iniciado com o vídeo super-produzido de "Just Do It" (faixa que reaparece em Tropical Splash e dita o compasso de quase todas as outras faixas, ou vocês acham eles são bobos?), que peca por começar de cima para baixo. Se a intenção de tropicalizar a música jovem nacional é transformá-la num insuportável editorial de moda da Vice, o Copacabana Club está dando o seu quinhão de artificialidade. Agora, se for apenas citação ou homenagem, Tropical Splash não chega nem a respingar em algo parecido com tropicalismo porque é frio, covarde, comercial e para comercial. Antes de ser o Copacabana Club, não custava nada visitar Copacabana.



FICHA TÉCNICA
Artista: Copacabana Club
Álbum: Tropical Splash
Origem: Brasil
Ano: 2011
Gênero: Disco/Indie-Rock
Escolhas do IN: "Just Do It"
Pra quem gosta de: CSS, Frenéticas, Lulu Santos




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VDD | The Flaming Lips Part. Lightning Bolt - I Wanna Get High But I Don't Want Brain Damage

Podcast #10


     
Podcast #10* | Download

1 | THE GROWLERS | GAY THOUGHTS | GAY THOUGHTS 7" [EVERLOVING, 2011]
2 | DUCKTAILS | KILLIN THE VIBE [PART. PANDA BEAR] | KILLIN THE VIBE EP [WOODSIST, 2011]
3 | ELEANOR FRIEDBERGER | ROOSEVELT ISLAND | LAST SUMMER [MERGE, 2011]
4 | RADIOHEAD | LITTLE BY LITTLE [CARIBOU REMIX] | THE KING OF LIMBS REMIXES [INDEPEDENTE, 2011]
5 | WASHED OUT | A DIRECTION | WITHIN AND WITHOUT [SUB POP, 2011]
6 | DARYL HALL | THE FARTHER AWAY I AM | SACRED SONGS [RCA, 1977]
7 | BROADCAST | ACCIDENTALS/WE'VE GOT TIME 7" | ACCIDENTALS [WURLITZER JUKEBOX, 1997]
8 | ARCHITECTURE IN HELSINKI | WHERE YOU'VE BEEN HIDING? | FINGERS CROSSED [TRIFEKTA, 2003]
9 | ANIMAL COLLECTIVE | WINTER'S LOVE | SUNG TONGS [FAT CAT, 2004]
10 | SWEET BULBS | KISSING CLOUDS | CYBERGAZE  [BLACKBURN, 2010]
11| TOP SURPRISE | HOME |  EVERYTHING MUST GO [PUG RECORDS, 2010]
12 | STEPHEN MALKMUS & THE JICKS | SENATOR | MIRROR TRAFFIC [MATADOR, 2011]


*em homenagem aos websites Giba e Claudinha e KKKKKKK

Resenha | The Caretaker - An Empty Bliss Beyond This World


The Caretaker - The Sublime Is Disappointingly Elusive

Por coincidência, todos os fantasmas do cinema o são desde o século XIX. Não existe quase ninguém que tenha virado alma penada em dias modernos, penar é muito 19th century. Então, a chance de você topar com um espírito hipster atormentado que curte Animal Collective é quase zero: fantasma, aquele de raiz mesmo, curte uma vibe mais pré-rock, sabe? Você acha que menininho do além relaxa com chillwave? Mas não mesmo! O menininho do além passa correndo pela casa e coloca para tocar é um vinilzinho gostoso, com os clássicos dos anos 20 (enquanto o dono da casa/protagonista do filme sai correndo, desesperado). Vinilzinho como os utilizados por James Leyland Kirby no seu mais novo e fascinante álbum, An Empty Bliss Beyond This World [History Always Favours The Winners, 2011], uma viagem sonora e filosófica que assusta mais que o meninho do além e suas peraltices.

Kirby pensa muito em conceitos. Talvez por isso tenha crítico que se revela claramente confundido com suas manifestações artísticas, insistindo que elas existem mais como idéia do que música propriamente, como se fosse possível desvencilhá-las. Quem vê a música com olhos puramente industriais, ou filtrados por um lente industrial, tende a pensar dessa maneira. Kirby, felizmente, não é desses: o que o inspira não é exatamente música mas o leva a fazer música. Exemplos: a inspiração para Caretaker surgiu ao assistir uma cena de Jack Nicholson em "O Iluminado" e o conceito do álbum mais recente é baseado num estudo que revelou a maior facilidade de acesso às memórias que os pacientes de Alzheimer possuem quando estas estão ligadas à música. Preenchimento sonoro num filme (cinema, arte, música), estudo médico (ciência, música) ou porcos (er, filosofia?, música): uma mente aberta gera arte também aberta.

Embora desperte curiosidade, não há porque perder tempo com detalhamentos do passo-a-passo prático de Kirby, em cada faixa, em cada trecho. É melhor deixar-se acreditar que os estalidos do vinil antigo podem ser um elemento percussivo proposital; que existem momentos compostos e tocados, outros só de reprodução per se; que a música se comporta do mesmo jeito que a memória daqueles pacientes com mal de Alzheimer, às vezes falha e cheia de lacunas (a partir de "I Feel As If I Might Be Vanishing"), às vezes vibrante e cheia de cores (a bela sequência de três faixas, no início, e o final, com "The Sublime Is Disappointingly Elusive").

Analisado puramente como música, o álbum se estabelece como uma alternativa ao ambient, buscando opções numa roupagem radicalmente (quando ler, por favor, grite a palavra radicalmente) retrô. Analisando como conceito, à maneira que alguns críticos preferem fazer, o álbum também é plenamente bem sucedido, funcionado como uma exploração minuciosa do envelhecimento, da memória, da condição humana. E, como obra aberta, An Empty Bliss... serve também à imagens particulares, pertencentes a cada ouvinte: se apoiando numa linha frágil entre o francamente assustador e docemente melancólico, pode evocar a imagem de um Duke Ellington, lamentando por Javanette, no fundo do mar. Ou a imagem daquele menininho do além, que corre pra lá e pra cá, nos filmes: embora assustador, ele é só um fantasma. Ele é só um menininho.



FICHA TÉCNICA
Artista: The Caretaker
Álbum: An Empty Bliss Beyond The World
Origem: Inglaterra
Ano: 2011
Gênero: Ambient/Experimental
Escolhas do IN: "All You Are Going To Want To Do Is Get Back There", "Libet's Delay" e "The Sublime Is Disappointingly Elusive"
Pra quem gosta de: Coletânea Victrola Favorites, Duke Ellignton, Grouper





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Resenha | Ras G - Down 2 Earth

- AI FINATTI - Sim, sim, o zapper blogger - AI FINATTI - está meio preguiçoso esta semana, por causa do frio, rsrs - AI FINATTI - . Semana que vem voltam os mega posts aqui no endereço próprio do blog, e também na Dynamite online, inclusive e talvez - AI FINATTI - com um relato hard do inesquecível namoro do sujeito aqui com a negraça Greta - AI FINATTI - , um bocetaço de tetas gigantes - AI FINATTI - (iguais, inclusive aos pertencentes a um outro enlouquecedor “romance” curtido pelo blogger cafajeste - AI FINATTI - , anos atrás, e cuja imagem já foi postada aqui, há algumas semanas, rsrs - AI FINATTI - ) que o autor destas linhas calhordas - AI FINATTI - traçou - AI FINATTI - durante um ano, isso lá por 1993. A garota era um tesão em seus dezoito anos, adorava Jim Morrison e os Doors e… adorava foder ouvindo a banda - AI FINATTI - , e dizia no ouvido do então ainda jovem jornalista, enquanto levava pica na xota - AI FINATTI - : “vai, me fode seu cachorro!” - AI FINATTI - . Mas isso contamos melhor no próximo post, em mais um “caloroso” diário sentimental, hihi - AI FINATTI -

Como o leitor percebeu, esse trecho extraído do melhor blog musical brasileiro de todos os tempos foi levemente modificado. Sempre AO ACASO, foram inseridos vários "AI FINATTI" no meio desse deslumbre literário para provar um ponto de vista. Lembrando que, é claro, todas as intervenções foram distribuídas aleatoriamente.

Bom, o ponto de vista a ser provado é que, mesmo um gênio da arte (da arte literária, no caso do jornalista usado como exemplo) pode ser prejudicado quando seu trabalho inicial é excessivamente modificado. Exatamente o que acontece nesse trecho se repete no novo trabalho de Ras G, artista que já registrou seus beats em selos como o Brainfeeder de Steven Ellison e que retorna esse ano com um aguardado LP pela Ramp: entre intervalos que não chegam a 30 segundos, as batidas enfumaçadas de Down 2 Earth [Ramp Recordings, 2001] são brindadas com a futuramente amaldiçoada saudação OH RAS. Por que futuramente? Durante as primeiras faixas, o sampler passa até despercebido. Mas aí ele se  repete, se repete, se repete, se repete...

E se repete... Não é prudente analisar o procedimento descolado da intenção, mas a repetição da inserção é de uma infelicidade mastodôntica. Sua admiração pelo dub explícita tanto na sua música quanto na sua persona artística explica o motivo mas não justifica a utilização. Nessa confusão, batidas do tamanho da Via Láctea se apequenam diante do insistente sampler. Fica difícil ver a devoção pelo soul (como Gil Scott Heron, devidamente homenageado) e pelo hip hop americano dos anos 90 (Dilla é, inegavelmente, a influência principal, mas toda a década é explicitamente homenageada na faixa... "I Love the 90's HipHop"). Fica difícil observar a fluência com que os beats passeam pelos gêneros, em elegância comparável à do próprio Ellison, no Flying Lotus. E é tudo por culpa do maldito OH RAS.

É um daqueles casos em que o excesso de reverência atrapalha. O sampler pode até parecer uma viagem monstruosamente egocêntrica do artista mas analisando a boa intenção que a "marca d'água" possa ter, imagina-se que a referência seja a seus ídolos jamaicanos, não a si mesmo. Um produtor resolveria, mas em disco de produtor, a situação ganha contornos dramáticos. Com Ras G carregando na reverência, Down 2 Earth se tornou, ao mesmo tempo, um bom disco e um grande aborrecimento. OH RAS!




FICHA TÉCNICA
Artista: Ras G
Álbum: Down 2 Earth
Origem: EUA
Ano: 2011
Gênero: Hip Hop Experimental/ Beats
Escolhas do IN: "Fat Cat", "I Love The 90's Hip Hop" e "40 Bus"
Pra quem gosta de: Samiyam, Gonjasufi, J Dilla






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VDD | Sufjan Stevens - Get Real, Get Right

Discografia Comentada | Radiohead

Podcast #9


 

 

 

 

 


Podcast #9 | Download

1 | MRR-ADM | 1NE | ARCHIVE [INDEPENDENTE, 2011]


2 | UNKNOWN MORTAL ORCHESTRA | FFUNNY FRIENDS | UNKNOWN MORTAL ORCHESTRA [FAT POSSUM, 2011]


3 | DUNGEN | DET TAR TID | 4 [SUBLIMINAL SOUNDS, 2008]


4 | ROSINHA DE VALENÇA | ZANZIBAR | UM VIOLÃO EM PRIMEIRO PLANO [RCA, 1971]


5 | THE WAR ON DRUGS | COMIN' THROUGH | FUTURE WEATHER [SECRETLY CANADIAN, 2010]


6 | ELECTRIC WIRE HUSTLE | CHASER (SCRATCH 22 REMIX) | AGAIN (SINGLE) [!K7, 2011]


7 | SBTRKT | HOLD ON | SBTRKT [YOUNG TURKS, 2011]


8 | BJÖRK | CRYSTALLINE | CRYSTALLINE (SINGLE) [UNIVERSAL, 2011]


9 | GANG GANG DANCE | MINDKILLA (LEE SCRATCH PERRY REMIX) | MINDKILLA (SINGLE) [4AD, 2011]


10 | CHUCHO VALDÉS | DRUME NEGRITA | LIVE AT VILLAGE VANGUARD  [BLUE NOTE, 2000]


11| ANTHONY BRAXTON | COMPOSITION IN 6C |  QUARTET (DORTMUND) 1976 [HAT HUT, 1976]


12 | FIRE! WITH JIM O'ROURKE | PLEASE, I AM RELEASED | UNRELEASED? [RUNE GRAMMOFON, 2011]

Discografia Comentada | Wilco

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